Filho de Eike tem 11 multas e 51 pontos na CNH

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20 Março 2012

O filho de Eike Batista Thor Batista, de 20 anos, que no sábado atropelou e matou um ciclista na Rodovia Washington Luís, na Baixada Fluminense, recebeu 11 multas nos últimos 18 meses. Acumulou 51 pontos na Carteira Nacional de Habilitação, mas ainda pode recorrer de duas, que somam 11 pontos. Das outras nove, que totalizam 40 pontos, não é possível reclamar. A pontuação foi divulgada ontem pelo Jornal Nacional, da TV Globo.

A reportagem é de Antonio Pita e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 20-03-2012.

Thor obteve a primeira habilitação em dezembro de 2009, quando iniciou um período probatório previsto em lei. Nos 12 meses seguintes, se cometesse qualquer infração, teria de voltar a frequentar um curso de formação de condutores. Entre setembro e dezembro de 2010, o filho de Eike cometeu cinco infrações, todas por excesso de velocidade, somando 21 pontos. No entanto, foi beneficiado pela demora no processamento das multas. Em dezembro de 2010, elas não haviam sido computadas e Thor conseguiu a carteira definitiva.

Depois que o motorista obtém a carteira definitiva, não pode perdê-la em função de multas que apareçam no sistema e sejam referentes ao período probatório. Em 2011, Thor cometeu seis infrações. Contra quatro delas, que somam 19 pontos, não cabe nenhum tipo de recurso.

Segundo a legislação, quem acumula 20 pontos em 12 meses tem a carteira suspensa, mas nesse caso não se pode somar as multas do período probatório com aquelas posteriores à aquisição da carteira definitiva. Thor deveria ter perdido a carteira após a primeira infração durante o estágio. Depois de obter a definitiva, somou 19 pontos dos quais não cabe recurso.

Segundo o Jornal Nacional, a assessoria de Eike informou que o rapaz desconhecia a existência desses pontos em sua carteira e que isso não tem relação com o acidente de sábado.

Indenização

A família do ajudante de caminhoneiro Wanderson Pereira da Silva, a vítima do atropelamento, disse ontem que vai acionar Thor na Justiça pedindo indenização por danos morais e materiais. Silva tinha 30 anos e sustentava mulher e parentes com o salário de R$ 1.400 mensais.

O laudo que pode determinar as causas do acidente será divulgado em dez dias. Ontem, o empresário responsabilizou a vítima pelo acidente e defendeu o filho no Twitter. Thor criou uma conta no microblog para se manifestar sobre o acidente.

Ontem, a família de Wanderson foi procurada por representantes de Eike. O encontro ainda não tem data. O advogado Cléber Carvalho, que representa a família da vítima, informou que os parentes têm interesse no diálogo, mas querem saber a verdade sobre o acidente. "Mesmo se houver essa compensação pelo sofrimento, ainda ficará faltando a justiça."

Amanhã, Thor prestará depoimento. Ele mantém a versão de que o ciclista atravessou a pista "inadvertidamente." A família da vítima discorda e diz que testemunhas viram o ciclista no acostamento momentos antes. Segundo o advogado, há indícios de que a velocidade do carro era "muito superior" à permitida na via, de 110km/h.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio culposo (sem intenção).

'Estava tremendo de nervosismo', diz Thor

Thor Batista criou uma conta no microblog Twitter para comentar o acidente - e reuniu 6 mil seguidores em apenas duas horas. Ali, relata o histórico do acidente, destacando que a velocidade do veículo SLR McLaren permaneceu dentro dos limites da lei durante toda a viagem.

Segundo ele, a tragédia ocorreu justamente em um ponto em que há falhas na rodovia. "A estrada perto do local do acidente não tem iluminação. Por isso utilizava o farol alto, farol de milha e farol de neblina. Trafeguei por ali seis vezes dentro de um ano, estava consciente que frequentemente ciclistas atravessam a faixa dupla da autoestrada."

Por causa disso, o jovem relata que estava atento, nem dialogava com o carona. Foi nesse momento que o ciclista teria atravessado a pista. "Minha imediata reação foi aplicar força total nos freios do carro, segurando o volante reto, mas infelizmente foi impossível evitar a colisão. Eu me recordo que Wanderson (a vítima) empurrava a bicicleta com o pé esquerdo no chão, sentado, porém, no banco."

Thor relata ainda que "a frenagem trouxe o carro de 100km/h até 90 km/h até o momento da colisão apenas, infelizmente". O forte impacto quebrou o para-brisa, provocando cortes no motorista e impossibilitando sua visão. "Estacionei o carro longe (do local) da colisão, diria que a 200 metros de distância. Liguei o pisca-alertas e com o auxílio de outros consegui sair. Estava com dores no corpo, com muito sangue, tremendo de nervosismo, traumatizado. Nunca tinha sofrido um acidente."

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