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13 Março 2012

"O aquecimento nos obrigará ao nomadismo. Não alcançaremos estrelas distantes. Encontraremos novas fontes de energia. Não nos extinguiremos como os dinossauros". Eis o homem no ano 100.000 d.C., segundo a New Scientist.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 12-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Pensar no futuro, para o homem de hoje, geralmente significa se preparar ou se preocupar com o que pode acontecer em seis meses (Israel ataca Irã para destruir as usinas nucleares), em dois anos (a economia mundial começa a crescer novamente) ou em 20 anos (a China é a nova superpotência planetária).

Mas novos estudos estão tentando determinar como será o nosso mundo não em 50 anos ou mesmo em um século ou dois, mas sim daqui a 100.000 anos: tentando imaginar, com dados científicos à mão, que aspecto teremos, que língua falaremos, onde viveremos, aproximadamente no ano 102012.

Raramente ousamos olhar tão longe, até porque o exercício nos assusta: entre mudanças climáticas, perigo de pandemias provocadas por novos vírus, risco de que um asteroide gigante atinja a Terra, a catástrofe é tão generalizada que preferimos não imaginar um amanhã muito distante, temendo, de fato, que não haja um amanhã.

Não é por nada que a Global Catastrophic Risk Conference, realizada em Oxford em 2008, calculava que os seres humanos tinham apenas 19% de probabilidade de sobreviver até 2100. Contudo, tal pessimismo, adverte a revista New Scientist, citando um crescente número de publicações e de especialistas, é prematuro, equivocado.

A primeira boa notícia anunciada pelos cientistas da Long Now Foundation, criada em San Francisco com o objetivo de perscrutar o futuro mais remoto, é que, daqui a 100 mil anos, nós ainda existiremos.

Resíduos fósseis sugerem que os mamíferos podem sobreviver um milhão de anos, e algumas espécies, dez vezes mais: por que o mamífero mais inteligente, o Homo sapiens, não poderia estar entre eles? Com base nos 200 mil anos de existência humana na Terra, Richard Gott, astrofísico da Princeton University, estima que viveremos outros sete milhões e meio de anos.

Desastres provocados por nós mesmos (guerras termonucleares), novos vírus pandêmicos assassinos (houve quatro no século passado) ou a erupção de um supervulcão (a cada 50 mil anos, há uma) poderiam provocar sérios danos, mas dificilmente fariam desaparecer sete bilhões de pessoas espalhadas por todos os cantos do planeta.

O perigo mais grave é que um asteroide gigante atinja a Terra, como aconteceu, provavelmente, há 65 milhões de anos, mais ou menos, provocando a extinção dos dinossauros. Mas, mesmo isso, segundo os cálculos da Nasa, não provocaria o desaparecimento de toda a civilização humana.

Um risco concreto é o aquecimento do planeta: se a temperatura aumentar no próximo século de dois a dez graus, Nova York, Londres e Tóquio serão inundadas pela elevação dos oceanos, ilhas inteiras acabarão debaixo d'água, as zonas tropicais se tornarão inabitáveis. Outras áreas, no entanto, hoje áridas ou semi-inacessíveis, se tornarão habitáveis e até mesmo floridas, da tundra siberiana à Antártida. Parte da humanidade será obrigada a se mudar, mais ou menos durante os próximos três mil anos, mas não sucumbirá.

Dado que ainda existiremos, mas teremos que mudar de residência, resta decidir que aspecto teremos. Um antigo experimento imaginava a possibilidade de pegar um homem do Cro-Magnon (30 mil anos atrás), barbeá-lo, vesti-lo e colocá-lo no centro de Nova York: ele reconheceria os seus semelhantes? Sim, é a resposta dos antropólogos, embora não reconhecesse nada mais.

Façamos o mesmo jogo: peguemos um homem de 2012 e coloquemo-lo em 102012: ele reconheceria os indivíduos e as coisas ao seu redor? Sim e não. Poderia haver ciborgues e robôs de silício não à nossa imagem e semelhança, mas, assim como o homem da pré-história não nos pareceria uma forma totalmente estranha, do mesmo modo o homem do ano 100 mil d.C. não terá três pernas e um olho só, mas continuará de algum modo sendo semelhante a nós, afirma o estudioso Graham Lawton.

Mas comunicar poderia ser mais complicado. Hoje, não entendemos o inglês de mil anos atrás, e só quem fez o ginásio entende o latim da Roma antiga. As línguas evoluem mais radicalmente do que aqueles que as falam: o Dicionário Oxford acrescenta 2.500 novas palavras por ano, as regras gramaticais mudam constantemente.

Mas, talvez, dizendo "Meu nome é Mario", ainda conseguiríamos nos fazer entender no 100 mil, defende o linguista Mark Pagel, da Reading University. O que mais veem os adivinhos do futuro a longo prazo? Acabaremos com alguns recursos, como petróleo e gás, mas encontraremos novos, mais profundos e em outros planetas.

A propósito: exploraremos o nosso sistema solar, mas parece improvável que alcancemos as estrelas (a 40 mil quilômetros por hora, levaríamos 115 mil anos para chegar à mais próxima, Alfa do Centauro).

Por isso, é provável que nós, terráqueos, continuaremos nos sentindo sozinhos no universo: a menos que, nesse meio tempo, encontremos algumas espécies mais evoluídas e mais velozes do que a nossa.

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