Com aval de Dilma, Aldo manda carta à Fifa

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05 Março 2012

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, teve aval direto da presidente Dilma Rousseff para reagir duramente às cobranças da Fifa sobre a Copa do Mundo de 2014 e não pretende voltar atrás da exigência de troca do secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, como interlocutor para a preparação do evento esportivo.

A reportagem é de Daniel Rittner, Bruno Peres e Assis Moreira e publicada pelo jornal Valor, 05-03-2012.

Aldo deverá encaminhar hoje ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, uma carta redigida por ele mesmo pedindo formalmente essa mudança. Valcke tem visita oficial ao Brasil no dia 12, mas não será recebido pelo governo. Com o sinal verde do Palácio do Planalto, a postura endureceu e tornou "inaceitável" a permanência de Valcke como interlocutor da Fifa com o Brasil, principalmente depois de ele ter chamado a reação brasileira de "pueril". Nas declarações que iniciaram o bate-boca, o secretário-geral disse que o país precisava de um "chute no traseiro" para avançar na organização do evento. Ele criticou a situação dos aeroportos, a lentidão nas obras de estádios, a oferta hoteleira insuficiente e o atraso na votação da Lei Geral da Copa, no Congresso.

Ontem, ao desembarcar em Hannover com a presidente Dilma, o assessor internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, não poupou críticas a Valcke. Garcia reiterou que o secretário-geral da Fifa não é mais interlocutor do governo: "O interlocutor já está riscado. Esse cara é um vagabundo. Os franceses nunca se deram bem no colonialismo no Brasil. Ele mordeu a língua, criou um problema não para nós, mas para a Fifa. Falou de forma inadequada e imprópria".

Sobre o mérito da crítica, o assessor da presidente disse que a preparação para a Copa do Mundo "está indo e vai chegar no ponto devido". E acrescentou: "Vocês sabem como é o ritmo do Brasil, não é o ritmo europeu, germânico."

Indagado se nesse ritmo a Copa custará mais caro para os cofres públicos, Garcia respondeu: "Eu não acho, e não acho que o elemento essencial seja que custará mais caro. Vamos fazer de nosso jeito. O que podem exigir é que se cumpram as coisas no prazo devido."

Garcia e o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, garantiram que a presidente não comentou a crise com a Fifa, durante o longo voo entre Brasília e Hannover. "Imagina, a presidente tem coisas melhores para se irritar do que com os comentários de um boquirroto", disse Garcia.

Para auxiliares de Aldo Rebelo, as declarações de Valcke podem até mesmo complicar a votação dos destaques da Lei Geral da Copa que estava encaminhada para esta semana, com a apreciação em separado de pontos polêmicos. O texto-base foi aprovado, na quarta-feira, na comissão especial da Câmara. Auxiliares de Aldo temem que o clima criado pelas declarações de Valcke faça com que deputados da comissão evitem votar a lei para não transmitir, à opinião pública, a mensagem de que estariam cedendo às pressões da Fifa. Embora não seja a vontade do governo, teme-se que seja uma consequência da briga.

"Se houver uma reação dessas, é legítima", disse ontem o deputado Vicente Cândido (PT-SP), relator do projeto, sobre um eventual boicote de seus colegas à votação nesta semana. Apesar de criticar fortemente a atitude de Valcke, Vicente Cândido recomenda a manutenção do cronograma de votação, lembrando que a lei geral é peça-chave na organização da Copa do Mundo e que sua aprovação já tem demorado. "Cada um tem que honrar seus compromissos", ressaltou.

O presidente da comissão, Renan Calheiros Filho (PMDB-AL), disse ter considerado justa a "angústia" de Valcke ao cobrar a aprovação da lei e mais agilidade na execução das obras. Ponderou que o secretário-geral falou "algumas besteiras", mas enfatizou que as declarações "não interferem em nada" a perspectiva de concluir a votação nesta semana. "Ele está no papel dele, e cada um com seu papel. Eu não me sinto nem um pouco pressionado, mas acho que nós temos que dar velocidade para aprovar a lei, porque o Brasil tem que dar condições para a Fifa realizar o evento, e essa responsabilidade é nossa", disse Renan Filho. O texto-base deverá ser votado novamente, para evitar questionamentos regimentais à forma como foi aprovado na semana passada.

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