Entre Camus e Latouche: a economia do ''suficiente''

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18 Fevereiro 2012

Quando um dia a Terra for pequena demais para todos, aí sim nos daremos conta. Atiraremos contra nós mesmos pela sobrevivência, depois de ter feito isso pelo petróleo, pela água e pelo urânio. Faremos isso pelo solo e pelo subsolo, pelos alimentos e pelos tanques das máquinas.

A reportagem é de Angelo Carotenuto, publicada no jornal La Repubblica, 14-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Andrea Segrè, economista de Trieste e diretor da faculdade de agronomia da Universidade de Bolonha, imagina como será o apocalipse do mundo ocidental, escravo da tríade crescimento-consumo-dívida. Ele faz isso em seu Basta il giusto (quanto e quando) (Ed. Altreconomia), um livrinho sutil, construído como uma carta a um estudante universitário de 18 anos.

Um dia, quando a Terra for pequena demais para todos, também será tarde demais. Por isso, é preciso agir agora, e já existe um caminho para Segrè. É o oxímoro que salvará o mundo, que garantirá ainda um futuro. O caminho das contradições aparentes levará "lentamente, mas realmente" a menos bem-estar e a mais bem-viver. A uma sociedade com um modelo econômico capaz de reduzir as desigualdades reduzindo a posse, devotando-se à cultura da suficiência.

Segrè cita "a sociedade diversamente rica de Riccardo Lombardi, a pobreza feliz de Albert Camus, a opulência frugal de Serge Latouche". Ele as chama de visões, não utopias, já que, se fossem utopias, seriam "utopias concretas". O elogio dos limites e da vida responsável passa, portanto, através de um novo mundo que renega "a cultura difundida do consumo e do descarte que geram o desperdício do qual estamos cercados e oprimidos".

Se, até 2030, 48% dos homens ingleses e 43% das mulheres serão obesos; se 40% da população mundial dispõe de menos de 50 litros de água por dia, enquanto cada italiano, de 250 litros; se um cidadão da Índia consome quatro toneladas por ano entre minerais, combustíveis fósseis e biomassa, contra as 40 dos países industrializados; então será preciso um planeta reserva, que não existe.

A utopia concreta e o caminho do oxímoro podem, ao contrário, mudar os comportamentos de consumo. Segrè, no fim, encontra uma fórmula para o Homo sufficiens: menos desperdício, mais ecologia. O microcrédito, a "cadeia curta" [cadeia produtiva com o mínimo possível de intermediações], o comércio justo. "Não é um sacrifício, não fazer sem. Saber que o suficiente é suficiente significa ter sempre o suficiente".

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