Evangélicos cobram de Dilma posição sobre aborto

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15 Fevereiro 2012

Lideranças da bancada evangélica no Congresso decidiram cobrar da presidente Dilma Rousseff o cumprimento da posição assumida por ela com relação ao aborto, durante a campanha eleitoral. Também decidiram "repudiar" declarações do ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) e rejeitá-lo como interlocutor do governo com o setor.

A reportagem é de Raquel Ulhôa e publicada pelo jornal Valor, 15-02-2012.

Em reunião no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES), foram distribuídas cópias do documento "Mensagem da Dilma", assinado pela então candidata, no segundo turno das eleições de 2010, no qual ela diz ser "pessoalmente contra o aborto" e defende a "manutenção da legislação atual sobre o assunto".

Os evangélicos tentarão marcar audiência com Dilma, para tratar do assunto. Estão preocupados com a posição que a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, defenderá no Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, nesta semana em Genebra.

"Ela é ministra abortista. Está indo para a ONU defender isso", afirmou Magno. "O comportamento dessa ministra não é compatível com o comportamento de quem vai conduzir as políticas públicas de um governo. As opiniões dela são contrárias às de governo. Então cabe à presidente enquadrá-la", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele lembra que 30% dos eleitores do país são evangélicos.

Magno apela para a "lucidez" da presidente, lembrando o compromisso assumido com os "cristãos" na campanha, para tentar livrar-se da pecha de abortista, em documento público. "Se é [pessoalmente contra o aborto], não vai permitir que uma ministra dela jogue o governo contra o parlamento e o parlamento contra o governo dela. O parlamento repudia essa posição da ministra."

Com relação a Carvalho, evangélicos pretendem deixar claro o "repúdio" à sua declarações no Fórum Social Mundial. Em palestra, Carvalho defendeu que o Estado faça uma disputa ideológica por uma nova classe média, que estaria "sob hegemonia de setores conservadores". Falou do "papel da hegemonia das igrejas evangélicas, das seitas pentecostais, que são a grande presença para esse público que está emergindo".

Em discurso no Senado, Magno havia usado palavras como "safado" e "mentiroso" para criticar o ministro. Ontem, voltou a criticar Carvalho por dizer que o governo tem interesse em manter bom relacionamento com as pessoas de bem desse segmento. "Vou propor aos líderes que peçam para ele explicar judicialmente quem são as pessoas mal intencionadas desse segmento. Ele colocou todo mundo na vala comum."

A decisão dos evangélicos chegou ao Planalto e, minutos depois, Carvalho telefonou para o deputado João Campos (PSDB-GO), que preside a Frente Parlamentar Evangélica, para tentar contornar a situação.

O ministro foi convidado a participar de reunião marcada para hoje e explicar suas declarações. Aceitou o convite. A rápida resposta do Planalto é uma forma de tentar impedir que o incômodo dos evangélicos chegue até Dilma e que ela acabe perdendo o apoio do segmento.

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