''Complô'' contra o papa: uma encruzilhada chinesa

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14 Fevereiro 2012

O arcebispo de Palermo, Paolo Romeo não foi o único que viajou "privadamente" para a China. A mesma "blitz" no ex-Império Celestial foi realizada há um ano pelo cardeal colombiano Darío Castrillón Hoyos, autor do "memorando" sobre as confidências de Romeo acerca de um atentado "dentro de 12 meses" contra o papa e a ascensão de Scola ao sólio de Pedro.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 13-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Por trás da "guerra de papel" no Sacro Colégio, há também a corrida (entre personalismos, rasteiras e deslizes) para se credenciar no Vaticano como "mediador informal" com a China e como precursor-artífice dos relatórios oficiais. Um florescimento de "iniciativas espontâneas" já experimentado durante a Guerra Fria no Ostpolitik com relação ao bloco soviético. Cabos subterrâneos entrelaçados até pelos jesuítas (no impulso do processo de beatificação de Matteo Ricci), pela Santo Egídio, pela agência do Pime, AsiaNews, dirigida pelo sinólogo do Comunhão e Libertação padre Bernardo Cervellera, pelos ministros vaticanos da Cultura e das Comunicações Sociais, Ravasi e Celli, e pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Ballestrero, retornando de um encontro top secret com uma delegação chinesa em um castelo de Loire.

Nos últimos tempos, o ex-arcebispo de Boston, Bernard Law (removido para ter acobertado padres pedófilos) também tentou "reciclar-se" como negociador informal com o Vietnã. Os cardeais Romeo e Castrillón Hoyos, os protagonistas do episódio revelado pelo jornal Il Fatto Quotidiano, têm "proveniências" diferentes (o primeiro, ex-diplomata próximo do decano Sodano; o segundo, ex-ministro do Clero, defensor da reintegração "a qualquer custo" dos lefebvrianos) e têm em comum uma viagem à China e a busca do favor perdido nos Sagrados Palácios.

Quando era núncio na Itália, Romeo havia realizado uma discutida consulta entre os bispos sobre o sucessor de Ruini na CEI [Conferência dos Bispos da Itália]. Mas o seu "acusador" Castrillón Hoyos também é conhecido na imprensa por vários incidentes. Quando Bento XVI decidiu revogar a excomunhão dos quatro bispos seguidores de Lefebvre, apareceu na Web uma entrevista em que um dos quatro, o britânico Williamson, minimizava o Holocausto e negava a existência das câmaras de gás. Em uma carta aos bispos de todo o mundo, o papa explicou que a Cúria Romana deveria ter utilizado melhor a Internet. Pena que Castrillón, em 2007, havia contado aos quatro ventos a sua paixão pelos computadores e pela Rede. Portanto, se havia alguém que poderia ter evitado o problema ao pontífice, e não o fez, esse alguém era justamente Castrillón. Sem falar da carta escrita pelo purpurado para se congratular com o bispo francês Pican que, por não denunciar um padre pedófilo, recebeu três meses de prisão. Diante do distanciamento do Vaticano ("não representa a linha da Santa Sé"), indômito, Castrillón afirmou que Wojtyla tinha aprovado pessoalmente a missiva, enviada aos bispos de todo o mundo.

Ainda no capítulo "pedofilia", ele também acabou no centro da polêmica que estourou há alguns meses entre a Santa Sé e a Irlanda. O primeiro-ministro Kenny polemizou com a Santa Sé (e depois fechou a embaixada do Vaticano) por causa de um discurso de 1997 da Congregação para o Clero (liderada pelo purpurado colombiano), em que se contestava a ideia de tornar obrigatória a denúncia dos sacerdotes pedófilos às autoridades civis, sugerida pelo episcopado irlandês, afirmando que ele "levanta sérias reservas de natureza moral e canônica". Enfim, reconquistar o crédito na Cúria vale bem uma "rasteira" na encruzilhada chinesa. O enigma de Pequim continua.

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