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12 Fevereiro 2012

O Vaticano confirma: o documento publicado pelo jornal Il Fatto Quotidiano é autêntico. Aquelas duas páginas em alemão, mais duas folhas anexadas, existem e foram recebidas muito oficialmente nos âmbitos vaticanos. E não só: o cardeal Paolo Romeo teve que admitir, nesta sexta-feira, a existência da sua viagem secreta à China, durante a qual o arcebispo de Palermo teria feito algumas afirmações muito pesadas – relatadas no documento publicado pelo Fatto – sobre a futura morte do papa e sobre a impressão relatada pelos interlocutores de Romeo de que há em vista que uma conspiração para matar o Santo Padre.

A reportagem é de Marco Lillo, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 11-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Trazemos aqui novamente o objeto do documento publicado nesta sexta-feira: "Durante as suas conversas na China, o cardeal Romeo profetizou a morte do Papa Bento XVI dentro dos próximos 12 meses. As declarações do Cardeal", continua o documento anônimo escrito em alemão e entregue pelo cardeal Castrillón à Secretaria de Estado e ao secretário do papa em meados de janeiro, "foram expostas, como alguém provavelmente informado de um sério complô criminoso, com tal segurança e firmeza que os seus interlocutores na China pensaram, com horror, que esteja sendo programado um atentado contra o Santo Padre".

O documento é anônimo e é escrito em um alemão fluente, tanto que, no Vaticano, nesta sexta-feira, vazou a notícia de que ele não teria sido escrito pelo cardeal Darío Castrillón Hoyos, mas sim por um amigo alemão seu. Castrillón, depois, o teria enviado aos aposentos papais, mais uma nota. No anexo, escrito em um italiano incerto, lê-se uma série de sugestões de investigação, provavelmente dirigidas à Gendarmeria Vaticana: "Eles recomendam que se façam estas perguntas [sobre Romeo]:

  1. Quem disse falou?
  2. O que conseguiu obter?
  3. O que informou com relação ao Vaticano ou ao governo chinês?
  4. Que interesses os chineses têm na Sicília?
  5. Onde se alojou na China?".

Não se sabe quem são "eles" e se as pistas foram seguidos. A nota poderia ter sido escrita pelo próprio Castrillón, provavelmente ressentido com o ativismo de Romeo na China.

Castrillón se considerava até agora o intérprete privilegiado do papa na estratégia de reaproximação com a próxima primeira potência do planeta. Além das duas páginas em alemão e da página com as cinco perguntas, há uma quarta página em que, em poucas linhas, prevê-se a próxima sucessão do vice-presidente Xi Jinping ao atual presidente da República Popular da China, Hu Jintao. Previsão muito fácil de se adivinhar, já que a sucessão está prevista há muito tempo.

Na noite de quinta-feira, o padre Federico Lombardi havia tentado encerrar o assunto desta forma: "São apenas divagações". Mas depois, entrevistado pelo canal Sky Tg24, na tarde desta sexta-feira, o diretor da Sala de Imprensa do Vaticano especificou: "Eu não neguei que esse documento existe", embora depois repetiu: "Mas se trata de divagações que não devem ser levadas a sério e que nunca foram levadas a sério".

Nessa sexta-feira, Romeo também teve que admitir, em um comunicado da arquidiocese: "Em meados de novembro passado, S. E. Cardeal Paolo Romeo fez uma viagem privada, de duração total de cinco dias, à República da China". Portanto, uma segunda confirmação de um fato inédito: porque, sobre essa viagem, até essa sexta-feira, ninguém sabia de nada. Nem mesmo os seus mais estreitos colaboradores. O comunicado de Romeo, depois, conclui com o costumeiro desmentido sobre o conteúdo: "O que lhe é atribuído é totalmente sem fundamento e parece ser tão fora da realidade que não deve ser levado em consideração alguma".

Afirmações fora da realidade? Divagações? Para o Fatto, parece ser outra coisa. A nota foi discutida em uma audiência privada em janeiro entre o papa e o cardeal Darío Castrillón Hoyos. Não é verdade que foi logo jogado no lixo. Nem todas as notas anônimas são entregues ao secretário do papa pela Secretaria de Estado. Nessa sexta-feira, Castrillón disse: "Eu não falo. Quem tem perguntas a serem, que as faça a quem entregou o documento". Provavelmente, o cardeal queria dizer: "Façam as perguntas a quem escreveu o documento e o entregou a mim", porque o Fatto reforça – com base em elementos certos – que quem o entregou e o discutiu com o papa foi precisamente ele.

Nestes dias, essa não é a primeira negação vacilante que surge dos muros leoninos depois da publicação de documentos embaraçosos.

Quando o Fatto publicou pela primeira vez, no dia 31 de janeiro, o memorando (depois reexibido na TV pelo canal La7 no dia 9 de fevereiro como se fosse um furo e, naquele ponto, comentado pela Santa Sé) sobre as relações entre a antilavagem de dinheiro italiano (UIF) e a do Vaticano (AIF), o Vaticano divulgou uma nota da Sala de Imprensa em que se afirmava: "A insinuação de que as normativas vaticanas não permitiriam as investigações ou os procedimentos penais relativos a períodos anteriores à entrada em vigor da Lei CXXVII (1º de abril de 2011) não corresponde à verdade". Nos próximos dias, publicaremos um documento que mostra exatamente o contrário.

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