Os documentos ''confidenciais'' do Vaticano e os complôs inexistentes

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12 Fevereiro 2012

Não há um dia em que, dos palácios sagrados, que já se tornaram uma peneira, não surge alguma nota confidencial. O que o jornal italiano Il Fatto Quotidiano publicou nessa sexta-feira, 10 de fevereiro, é um documento enviado ao papa no dia 30 de dezembro passado. Trata-se de uma nota "confidencial" que o cardeal Darío Castrillón Hoyos, ex-prefeito da Congregação para o Clero, teria recebido de um amigo e que se refere à possibilidade de um "complô criminoso" para eliminar o papa.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no sítio Vatican Insider, 10-02-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A suposta "fonte", citada no texto, é o cardeal Paolo Romeo, arcebispo de Palermo, ex-núncio na Itália, que, durante uma viagem a Pequim em novembro de 2011, teria falado com alguns interlocutores chineses sobre a possibilidade de Bento XVI morrer dentro de um ano e sobre a possibilidade de que o seu sucessor seja o cardeal italiano Angelo Scola, ex-patriarca de Veneza e há poucos meses novo arcebispo de Milão.

Deve-se dizer sobretudo que a nota publicada pelo jornal é autêntica. Na verdade, ela foi recebida pela Secretaria de Estado, onde, depois de uma primeira leitura e de algumas risadas, não lhe foi dada a menor relevância, embora tenha sido transmitida ao pontífice.

Lendo o texto do documento, compreende-se também como o cardeal Romeo não falou sobre um complô para eliminar o papa. Ao contrário, ele teria se limitado a dizer que o papa poderia morrer dentro de 12 meses. Teriam sido os seus interlocutores chineses que deduziram o complô das suas palavras. Mas o que tornou efetivamente risível o conteúdo da nota foram outras afirmações: o arcebispo de Palermo teria afirmado ser "o interlocutor designado pelo papa designado pelo papa para se ocupar no futuro com as questões entre a China e o Vaticano". Além disso, o purpurado siciliano teria "surpreendido" os seus interlocutores chineses, "informando-lhes que ele – Romeo – formaria, juntamente com o Santo Padre – Papa Bento XVI – e com o Cardeal Scola, uma troica. Para as questões mais importantes, portanto, o Santo Padre se consultaria com ele – Romeo – e com Scola".

Em outra passagem do documento, depois de relatar a suposta notícia sobre a "relação conflitante" do papa com o seu secretário de Estado, Tarcisio Bertone, lê-se: "Em segredo, o Santo Padre estaria se ocupando da sua sucessão e já teria escolhido o Cardeal Scola como candidato idôneo, por ser o mais próximo da sua personalidade. Lenta mas inexoravelmente, ele o estaria preparando e formando para assumir o cargo de papa".

À luz dessas supostas e objetivamente inconclusivas "informações" (Romeo confidente do papa para todas as questões importantes, Ratzinger que trabalha para preparar a sua sucessão), a parte sobre o suposto complô também deve ser tomada pelo que realmente é, quando diz: "Seguro de si, como se o soubesse com precisão, o Cardeal Romeo anunciou que o Santo Padre teria somente outros 12 meses para viver. Durante as suas conversas na China, ele profetizou a morte do Papa Bento XVI (...). As declarações do Cardeal foram expostas como alguém provavelmente informado de um sério complô criminoso, com tal segurança e firmeza que os seus interlocutores na China pensaram, com horror, que está sendo programado um atentado contra o Santo Padre".

É possível perguntar como, se de fato o arcebispo de Palermo está a par do "complô criminoso" e assim é esta livre para falar a respeito em toda a parte, até mesmo com os seus interlocutores chineses, ele não falou sobretudo com Bento XVI, dada a sua assídua frequentação como membro da troica exclusiva, em vez de levar a notícia através dos mesmos interlocutores de Pequim que depois a confiariam a outro membro do complô até fazer com que a notícia chegasse a um amigo alemão do cardeal Castrillón Hoyos.

A única verdadeira notícia está no fato de que uma nota – autêntica, embora tão claramente incoerente – enviada por um cardeal ao papa e transmitida pela Secretaria de Estado há pouco mais de um mês esteja à disposição da mídia. Sinal de que a publicação das cartas de Dom Viganò ao papa e ao cardeal Bertone, assim como as anotações e os "memorandos" sobre o IOR e outros documentos sobre os quais se discutiu nestes dias, fazem parte de uma estratégia e se inserem em uma evidente luta interna ao Vaticano, de resultados incertos e, portanto, devastadores. Uma luta que tem como pano de fundo não apenas a sucessão ao cardeal Bertone, mas também o conclave.

Enquanto o arcebispo de Milão, cardeal Scola, não comentou a notícia, o cardeal Paolo Romeo, arcebispo de Palermo, não se moveu do seu escritório na Cúria. Seu secretário, Pe. Fabrizio Moscato, assegura: "Ele está muito sereno. Tudo o que há para ser dito sobre essa história está escrito na nota da arquidiocese de Palermo".

A preparação do comunicado, em que se definem como "fora da realidade" os rumores atribuídos ao arcebispo de Palermo sobre um complô contra o papa, modificou a agenda da secretaria. Também foi necessário adiar a audiência programada há muito tempo com o bispo romeno Petru Gherghel.

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