Na porta das nossas comunidades há muita gente sofrendo. Não o esqueçamos!

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30 Janeiro 2012

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 1, 29-39, que corresponde ao 5º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.

Eis o texto

À PORTA DA NOSSA CASA

Na sinagoga de Cafarnaúm Jesus liberou pela manhã um homem possuído por um espírito maligno. Ele sai da sinagoga e vai à casa de Simão e André. A indicação é importante, pois, no evangelho de Marcos, o que acontece nessa casa encerra sempre algum ensino para as comunidades cristãs.

Jesus passa da sinagoga, lugar oficial da religião judaica, para a casa, lugar onde se vive a vida cotidiana junto com os seres mais queridos. Nessa casa vai nascendo a nova família de Jesus. As comunidades cristãs devem lembrar que não são um lugar religioso onde se vive a Lei, mas um lugar onde se aprende a viver de uma maneira nova ao redor de Jesus.

Ao entrar na casa, os discípulos lhe falam da sogra de Simão. Ela não pode ir para acolher-los, porque está prostrada na cama com febre. Jesus não necessita de nada mais. Pela segunda vez no dia, vai romper a lei do sábado. Para ele o importante é a vida das pessoas, não as observações religiosas. O relato descreve com muito detalhe os gestos de Jesus com a mulher enferma.

“Achegou-se». É o primeiro que ele faz sempre: achegar-se aos que sofrem, mirar de perto seu rosto e compartilhar sua dor. Logo ele “segurou sua mão”: ele toca a enferma, ele não tem medo das regras de pureza que o proíbem; ele quer que a mulher sinta sua força curadora. Por fim, ele ajudou-a a se levantar, puxou-a de pé e devolveu-lhe sua dignidade.

Assim está sempre Jesus no meio dos seus: como uma mão estendida que nos levanta, como um amigo próximo que nos infunde vida. Jesus só sabe servir, não ser servido. Por isso a mulher curada põe-se a servir todos. Aprendeu de Jesus. Seus seguidores devem viver acolhendo-se e cuidando-se uns uns aos outros.

Mas seria um erro pensar que a comunidade cristã é uma família que pensa somente em seus próprios membros e vive de costas ao sofrimento dos outros. O relato disse que esse mesmo dia, “depois do pôr-do-sol”, quando o sábado está terminando, as pessoas eram levadas para Jesus com vários tipos de doença e possuídas por algum mal.

Quanto aos cristãos, devemos gravar bem esta cena. Ao chegar à escuridão da noite, a população toda está na frente da casa. Os olhos e esperanças dos que sofrem buscam a porta dessa casa onde está Jesus. A Igreja só atrai com verdade quando as pessoas sofrendo encontram nela Jesus que cura a vida e alivia o sofrimento. Na porta das nossas comunidades há muita gente sofrendo. Não o esqueçamos!

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