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27 Janeiro 2012

A rua que atravessa o edifício da Casa de Cultura Mario Quintana, a Travessa dos Cataventos, no Centro Histórico de Porto Alegre, foi tomada na tarde desta quinta-feira por ativistas digitais. A conferência que abriu o segundo dia do Conexões Globais 2.0, evento paralelo ao Fórum Social Temático, reuniu representantes e defensores dos movimentos que se organizaram nas redes sociais na internet em 2011 e tomaram forma em espaços públicos, em diferentes países e contextos, para reivindicar a participação da sociedade na construção política.

A reportagem é de Bibiana Borba e publicada pelo Jornal do Comércio, 27-01-2012.

O debate Ferramentas Sociais para Ativismo e Militância Política teve a participação do sociólogo Sérgio Amadeu, do gestor do Circuito Fora do Eixo Pablo Capilé, e dos espanhois Javier Toret, organizador do movimento 15M, Vicente Jurado, desenvolvedor de ferramentas de colaboração, e Bernardo Gutiérrez, jornalista e consultor de mídias radicado em São Paulo. Marcelo Branco, representante da Associação SoftwareLivre.org, organizadora do evento, mediou a discussão que, segundo ele, foi um dos exemplos do "hackeamento" proposto pelas novas formas de ativismo. "Hackear é entrar nos espaços, é penetrar dentro das estruturas para construir as nossas propostas", esclareceu.

O novo ativismo que ganhou repercussão com as revoluções da chamada Primavera Árabe e chegou até o berço do capitalismo com o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, para Sérgio Amadeu, é algo que já vinha sendo organizado pontualmente e ganhou força com o poder de disseminação da internet. O sociólogo chamou a atenção para as manifestações que ocorreram nos dias 18 e 19 deste mês, quando hackers se uniram a ativistas para paralisar websites de grandes corporações, em protesto contra propostas de leis de restrição à informação na rede. Para Amadeu, são exemplos do que é possível quando a inteligência coletiva atua junto aos movimentos sociais já organizados. "Precisamos trazer os movimentos sociais tradicionais para esse novo ativismo, digitalizar o mundo sindical", sugeriu.

Javier Toret explicou como foi organizado o movimento 15M, que culminou no dia 15 de maio do ano passado com passeatas de milhares de pessoas em mais de 50 cidades da Espanha, insatisfeitas com a corrupção na política e o desemprego juvenil de mais de 50%. Além das redes sociais mais populares na internet, como Twitter, Facebook e YouTube, o grupo utilizou ferramentas de software livre, como o OurProject.org, criado por Vicente Jurado. O objetivo dessas plataformas é o desprendimento da utilização de intermediários privados para a comunicação, por comprometerem a privacidade dos usuários ao visarem o lucro.

Na lógica desse ativismo do século XXI, que busca a independência dos cidadãos perante as instituições, Pablo Capilé atua junto a outros produtores culturais espalhados pelo Brasil para promover a cultura livre. O Circuito Fora do Eixo é uma espécie de economia colaborativa que visa sustentar iniciativas culturais independentes. O estabelecimento de conexões entre esses produtores através da internet possibilita, na definição de Capilé, que as iniciativas sejam "downloadeadas" para fora da rede.

Bernardo Gutiérrez vê a atual implicação do mundo virtual no território como uma reapropriação do conceito grego de "pólis", a cidade formada pelos cidadãos políticos. O jornalista sugere que o termo P2P, originalmente "peer to peer", esteja adquirindo o significado de "peer to polis", no retorno do cidadão às praças para reivindicar seus direitos. "Nós precisamos abrir o código fonte do poder", propôs Sérgio Amadeu.

O Conexões Globais 2.0 continuou a debater os movimentos sociais potencializados pela internet no final da tarde desta quinta-feira, com um debate dedicado apenas ao movimento Occupy Wall Street. O evento segue até sábado (28) na Casa de Cultura Mario Quintana, com outras conferências, oficinas e paineis sobre a cultura livre. A programação completa pode ser conferida no site www.conexoesglobais.com.br.

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