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Dez mil pessoas terão de ficar acampadas

O Aterro do Flamengo, que abrigou o mítico Fórum Global das ONGs em junho de 1992, é o espaço que organizações ambientalistas, redes sociais, grupos indígenas e de agricultores, movimentos sociais, de mulheres, jovens e negros pretendem ocupar na Rio+20. A escolha é curiosa: há 20 anos a maior crítica da sociedade civil à conferência era a distância e o tempo que levava para chegar ao evento dos governos, no Riocentro.

A reportagem é do jornal Valor, 19-01-2012.

A intenção é organizar no Aterro a "Cúpula dos Povos" - alusão ao nome do encontro dos líderes mundiais. "Temos duas motivações principais para desejarmos ficar ali", diz Fátima Mello, da Fase e do comitê facilitador da sociedade civil para a Rio+20. "Uma é muito simbólica: é no Aterro que corre a herança do Fórum Global", diz. "A outra é que queremos fazer um evento aberto, que dialogue com a cidade e o Aterro é o melhor lugar para isso." O plano foi apresentado à comissão dos governos federal, estadual e municipal que organiza a Rio+20. "Mas estamos abertíssimos à negociação", adianta ela.

As estimativas são de ter 10 mil pessoas acampadas, mas não no Aterro, em parques próximos. Em 1992, o uso intenso da área estragou a grama. O Aterro é patrimônio, e a negociação com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pressupõe que as áreas gramadas não podem ser usadas e, se houver estragos, as ONGs terão que arcar com o custo da restauração. O plano prevê um acampamento com 5 mil jovens, outro com 2 mil camponeses, e dois espaços com 800 e mil índios.

O Aterro será chamado de "Território do Futuro", adianta Fátima. "Queremos trazer, para a cidade, a indignação do mundo com o estado do mundo", conta. Virão representantes do Ocupem Wall Street, dos "indignados" europeus. Os locais serão abastecidos com produtos da agricultura familiar, haverá uma zona digital livre, geração de energia limpa e muita reciclagem. No Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, na semana que vem, esta preparação irá avançar.

Os empresários também discutem onde fazer seus eventos no Rio. "O momento é de tentar imaginar com qual tipo de público queremos falar e discutir quais seriam os melhores lugares", diz Sheila Guebara, assessora da presidência do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds). "Sabemos que serão dez dias de intenso trabalho", continua. O Cebds é uma coalizão de grandes grupos empresariais que tem entre associados a Vale, Petrobras, Amil, Dow, Votorantim, Itaú e Bradesco.

Entre as iniciativas já programadas do Cebds há a visita e apresentação do projeto-piloto "Rio Cidade Sustentável" que acontece em duas favelas do Rio, Chapéu Mangueira e Babilônia. Em 19 de junho acontece um evento empresarial global, o Business Day, ainda sem local definido. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) deve fazer uma feira de tecnologias verdes no Pier Mauá. Empresas com temática de mobilidade urbana podem ocupar espaços no Autódromo de Jacarepaguá.

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