Karl Polanyi, crítico radical do liberalismo

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16 Janeiro 2012

Geralmente, Karl Polanyi é conhecido pelo seu principal livro A Grande Transformação, que, publicado em 1944, lançava as bases para uma crítica do "sistema de mercado", crítica de inspiração socialista, mas depurada tanto do materialismo histórico marxiano, quanto do keynesianismo muito em voga na época.

A reportagem é de Jacques de Guillebon, publicada na revista Témoignage Chrétien, 13-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

La Subsistance de l'homme, obra póstuma publicada em inglês em 1977, isto é, 13 anos após a sua morte, permaneceu desconhecida para o público de língua francesa até hoje. Não se trata de vagos trechos de ensaios empilhados, mas sim de uma obra magistral, que, embora infelizmente não inacabada, havia sido totalmente construída segundo o espírito de seu autor.

Em A Grande Transformação, Polanyi relatava o surgimento do "mercado autorregulado" na Inglaterra do século XIX, isto é, daquele momento em que, seguindo o pensamento dos fisiocratas e de Adam Smith, a economia se "desencaixava" do resto da vida social e política. A conscientização do advento desse "desencaixotamento" continua sendo a intuição mais importante do economista, que, além disso, a retoma da crematística [1] de Aristóteles.

Continuando em La Subsistance de l'homme a sua crítica radical da utopia liberal, Polanyi continua mostrando como a universalização do mercado, ampliado para as "mercadorias fictícias" que são a terra, o dinheiro e o trabalho, criou o "sofisma economicista", aquele movimento de pensamento que projeta retrospectivamente sobre toda a história humana as representações nascidas da economia de mercado.

Mas, acima de tudo, empurrando as suas pesquisas para o mundo anterior à sociedade de mercado, ele desenvolve a sua crítica da "economia formal", a do mundo atual, que concebe a racionalidade como uma adaptação permanente dos meios aos fins, em um universo supostamente marcado pela raridade, opondo a ela outras economias: as dos "mercados não criadores de preço", que, afirma, já existiam muito tempo antes dos "mercados criadores de preço".

Por exemplo, a economia ateniense, por ele estudada muito de perto, fazia com que coexistissem três elementos "em uma totalidade orgânica": "uma redistribuição dentro das unidades domésticas de tipo mansão; uma redistribuição em nível do Estado; e elementos de mercado".

Reciprocidade, redistribuição e troca: desses três termos fundamentais da economia pré-moderna, o mundo contemporâneo realizou um desvio generalizado para o último, a troca, que se tornou assim a última palavra de todos os relatórios econômicos. Enquanto, mais uma vez, o "sistema autorregulador dos mercados criadores de preços" demonstra a sua capacidade de causar prejuízo, é mais do que necessário, de acordo com Polanyi, "reconsiderar inteiramente o problema da subsistência material do homem, a fim de incrementar a nossa liberdade de adaptação criativa e, com isso, aumentar as nossas chances de sobrevivência".

Notas:

1 –
Conceito criado por Aristóteles para descrever a prática que visa à acumulação de meios de aquisição em geral, especialmente daquele que acumula a moeda por si mesma e não em vista de outro fim que não o seu próprio prazer pessoal, atitude que Aristóteles condena.

- La subsistance de l’homme: La Place de l’économie dans l’histoire et la société, de Karl Polanyi, Ed. Flammarion, 2011, 422 páginas.

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