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Tapajós: o rio da vez para construção de hidrelétricas

O ano de 2012 começou com uma má notícia para a conservação da biodiversidade amazônica e das florestas brasileiras. Foi publicada no Diário Oficial da União, no dia 06, Medida Provisória (MP 558) para redução da área de quatro unidades de conservação (UC) na Amazônia brasileira e alteração de outras duas. Como principal motivo dessa iniciativa, está a construção de duas das mega-usinas hidrelétricas previstas no Complexo Tapajós, São Luiz (6.133 MW) e Jatobá (2.336 MW).

A reportagem é da WWF, 12-01-2012.

As unidades de conservação ameaçadas desta vez são a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (PA), Floresta Nacional do Crepori (PA), as Florestas Nacionais de Itaituba I e II (PA) e Parque Nacional da Amazônia (AM/PA).

Para Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil, a modificação de áreas e limites de unidades de conservação por meio de medida provisória é lamentável, pois é mais uma ação que coloca em risco a riqueza ambiental do país.

“As unidades de conservação são criadas por meio de decreto presidencial ou estadual, após avaliação detalhada sobre sua importância ecológica, mas somente só podem ser alteradas e reduzidas diretamente por lei, sem que esta alteração comprometa a razão original de sua criação”, explica Wey de Brito. “Deveriam ser objeto do mesmo tratamento técnico e jurídico em caso de alteração de limites. O governo não pode querer, a cada nova obra ou interesse, modificar as UCs a ‘toque de caixa’ por meio de MPs”, completa.  

O WWF-Brasil defende que o governo aborde a questão hidrelétrica, de forma inovadora, no Brasil todo e na Amazônia em particular, com uma visão integrada da bacia hidrográfica que se pretende explorar, considerando o impacto cumulativo dos projetos à luz das áreas prioritárias de conservação da bacia em questão, para minimizar não só os impactos de um projeto específico, mas também o impacto do programa hidrelétrico que se pretende implantar.

O próprio setor elétrico brasileiro já desenvolveu uma metodologia de análise do impacto cumulativo de represas, a Avaliação Ambiental Integrada (AAI), aplicada a diversos casos inclusive no Rio Xingu. No entanto, para a bacia do Tapajós, a metodologia do governo não foi até agora considerada e aplicada. Esse é um passo que deveria anteceder qualquer tomada de decisão sobre construção de hidrelétricas em rios do Brasil.

A necessidade de conservação da biodiversidade, dos serviços dos ecossistemas e da vida na escala de uma bacia como a do Rio Tapajós, que representa quase 6% do território nacional, depende da manutenção de alguns rios que corram livremente – sem qualquer contenção –para garantir a integridade social, econômica e cultural das comunidades que lá habitam e cujas vidas dos rios dependem.

Outras alternativas

Ao invés de construir barragens em cada um dos grandes rios da Amazônia, causando imensos impactos ambientais e sociais, o Brasil deveria explorar muito mais seu potencial em fontes renováveis modernas, de baixo impacto, como a energia dos ventos, a energia solar, a de biomassa, e deveríamos investir em medidas de aumento de nossa eficiência energética.

“Somente em energia eólica, estima-se em mais de 400 GW o potencial brasileiro, o que é mais de 3 vezes superior à toda demanda atual de eletricidade no Brasil. Como todos os novos projetos, nos próximos anos, chegaremos a usar pouco mais de 1% deste potencial, o que é insignificante diante do que temos à nossa disposição.  Além disso, o pleno aproveitamento da biomassa da cana-de-açúcar para geração de eletricidade poderia substituir a energia gerada por algumas usinas hidrelétricas, como Belo Monte ou São Luis do Tapajós", explicou Carlos Rittl, coordenador do programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

"Alternativas e o potencial nós temos. Mas para aproveitá-los e para reduzir os impactos da expansão de geração de energia, é necessário haver decisão e vontade política", concluiu.

Para ler mais:


  • 14/12/2011 - Indígenas voltam a denunciar irregularidades na construção de hidrelétricas no Tapajós
  • 26/07/2011 - Hidrelétricas do Tapajós são prioritárias para licitação, segundo CNPE
  • 23/07/2011 - Estudos de Inventário Hidrelétrico das Bacias dos Rios Tapajós e Jamanxim
  • 07/06/2011 - Novas usinas do Tapajós e Jamanxim dependem do Congresso
  • 25/05/2011 - Belo Monte, Madeira e Tapajós: onde erramos?
  • 09/05/2011 - Hidrelétricas do Tapajós, no Pará, podem causar aumento da migração para o Amazonas
  • 05/05/2011 - Povo Munduruku na luta contra as hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós
  • 29/04/2011 - Indígenas Munduruku reúnem-se para discutir hidrelétricas no rio Tapajós
  • 03/01/2011 - Usinas do Tapajós podem ter 15 mil MW
  • 12/09/2010 - Tapajós. "Inundados 9.500 hectares de floresta do Parque Nacional da Amazônia, além de terras indígenas"
  • 11/09/2010 - Energia, a riqueza que emerge do Tapajós
  • 07/09/2010 - A construção das usinas no Tapajós e no Teles Pires selará a destruição da Amazônia, diz pesquisadora
  • 18/05/2010 - Tapajós. Em busca do aval real
  • 18/05/2010 - Cartilha em defesa do rio Tapajós, seus povos e suas culturas. Uma resposta à Folha de S. Paulo
  • 15/05/2010 - Tapajós. Projeto será teste para setor elétrico
  • 15/05/2010 - Tapajós. Usinas alagarão áreas protegidas no Pará
  • 23/04/2010 - Depois de Belo Monte governo se dedicará ao projeto hidrelétrico do Tapajós
  • 02/07/2009 - Religiosos e atingidos por barragens afirmam que são contrários as usinas do Complexo do Tapajós
  • 29/05/2009 - Indígenas pedem esclarecimentos da Eletrobrás sobre hidrelétricas no Tapajós
  • 06/05/2009 - Povos da bacia do Tapajós rejeitam complexo hidrelétrico nos rios da região -
  • 24/09/2008 - Eletrobrás lança projeto de um complexo de usinas para o rio Tapajós
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