Indicadores sociais na contramão do crescimento econômico

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Por: Cesar Sanson | 09 Janeiro 2012

Embora ocupe o posto de sexta maior economia do mundo, Brasil apresenta índices de educação, saúde e inovação muito aquém dos países ricos da OCDE.

A reportagem é de Anderson Gonçalves e publicado pelo jornal Gazeta do Povo, 08-01-2012.

Mesmo tendo sido considerado no fim do ano passado a sexta economia mundial, o Brasil passaria vergonha se ingressasse na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apelidada de “clube dos países ricos”. Enquanto a riqueza nacional tem crescido a olhos vistos, o mesmo não se pode dizer ao avaliar seus indicadores sociais. Quando se comparam os números brasileiros relacionados a saúde, educação e inovação com os de outras nações, o país continua na rabeira, perdendo para vizinhos, como Chile e Argentina, ou nações do leste europeu, como Estônia e Eslováquia.

O Brasil já foi convidado para fazer parte da OCDE, organização que reúne 34 países, a maioria deles com economia forte e qualidade de vida. No primeiro quesito os brasileiros estão em condição privilegiada, visto que no fim de 2011 uma empresa de consultoria britânica colocou o país à frente do Reino Unido, que desceu para o sétimo lugar no ranking das maiores economias do mundo. Já no segundo item, ainda há muito o que avançar. Relatórios divulgados pela própria OCDE no ano passado indicam que em três áreas o país mantém indicadores que em nada condizem com seu crescimento econômico.

Acesso à educação

Uma delas é a educação. De acordo com a OCDE, em 2009, só 41% dos brasileiros com idade entre 25 e 64 anos de idade haviam concluído o ensino secundário, equivalente ao ensino médio. Na Eslováquia e na República Tcheca, países europeus com uma economia mais fragilizada que a do Brasil, esse porcentual chega a 91%. Já os que terminaram o ensino superior representam apenas 11%. Na Rússia, mais da metade da população nessa faixa etária (54%) fez curso superior.

“Relegar a educação a segundo plano foi o maior erro coletivo do Brasil”, avalia Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, que tem como objetivo ampliar o acesso à educação básica de qualidade. Na opinião dela, o Brasil tem até avançado em alguns aspectos ao longo dos últimos 20 anos, mas em ritmo lento. “Conseguimos colocar grande parte das crianças na educação básica, mas o abandono no ensino médio ainda é gigantesco. Temos 3,7 milhões de crianças e jovens em idade escolar fora da escola, o que equivale a toda a população do Uruguai”, compara.

Investimentos

Para Luciano Nakabashi, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Brasil não tem investido suficientemente nessa área. “Temos mais pessoas estudando, mas a qualidade do ensino ainda é baixa. Investir nessa área é fundamental para que o país tenha um crescimento elevado não apenas em sua economia”, avalia. Os poucos investimentos para estruturação da educação básica e formação de professores são alguns dos pontos fracos apontados.

A escassez de investimentos na educação fica evidente quando confrontados alguns números da OCDE. Dentre 40 países (os 34 da OCDE mais Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia, China e Rússia.), o Brasil é o segundo com o menor volume de gastos por estudante. Entre recursos públicos e privados, despendeu-se 2.416 dólares por aluno brasileiro em 2008. Na Suíça, país que aparece na primeira colocação, o valor gasto por estudante é de 14.977 dólares, ou seja, cinco vezes mais. “É necessário investir sobretudo na formação dos professores”, entende Fernanda Simões da Silva, diretora de políticas e projetos educacionais da Secretaria Estadual de Educação do Paraná.

Pouca inovação e pesquisadores em falta

Se no campo social o Brasil ainda faz feio diante dos membros da OCDE, na área de inovação tecnológica o país não tem um desempenho muito superior. O relatório da organização sobre esse segmento revela a mesma discrepância verificada nas áreas de saúde e educação. O número de patentes, marcas registradas (trademarks) e doutores em atividade são ínfimos perto do que dispõem outras nações desenvolvidas.

Exemplo gritante é a quantidade de patentes (direitos exclusivos sobre uma invenção) e marcas registradas conferidas no país. Levantamento de 2009 indicou a existência de uma marca registrada per capita no Brasil, enquanto a média de patentes ficou em zero. Na Suíça esse número foi de 221 marcas e 115 patentes. Até mesmo a África do Sul obteve um desempenho superior, com três marcas e uma patente registradas por pessoa.

Ousadia

O presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Carlos Eduardo Calmanovici, reconhece que os avanços ainda são pequenos quando comparados ao potencial econômico do Brasil. “Investir em inovação representa um risco, tanto tecnológico quanto comercial. Por isso, algumas empresas ainda não reconhecem o seu valor. O país precisa de investimentos e políticas públicas mais ousadas, que sirvam de estímulo à inovação. Hoje vivemos um momento bom, com uma economia forte, que nos dá suporte para isso”, avalia.

Uma das explicações para a baixa produção científica está na quantidade igualmente reduzida de pessoas com doutorado no país. De acordo com a OCDE, o Brasil tinha em 2009 0,6% de doutores na faixa etária compatível com esses estudos. O relatório não especifica qual é essa faixa etária, mas nas universidades brasileiras a formação de doutores é completada geralmente depois dos 30 anos. Na Suíça o porcentual era de 3,4%.

Calmanovici concorda que a deficiência de mão de obra é um dos fatores que mais pesam nos baixos índices de inovação. “A inovação exige um profissional altamente qualificado. É preciso não apenas competência técnica, mas que seja um pesquisador entendedor, com sentido e noção do mercado. Apesar da qualidade das nossas universidades, ainda existe dificuldade para formar esse profissional”, diz.

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