08 Janeiro 2012
Bento XVI escolheu 22 novos cardeais. O Sacro Colégio é um conjunto de pesos diferentes: é o pontífice reinante os modifica com enxertos, oferecendo assim indicações para a sua própria sucessão futura. Assim, na geopolítica vaticana, aumenta o peso da Itália e da Cúria.
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog, Oltretevere, 07-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O consistório (o quarto da era Ratzinger) será realizado nos dias 18 e 19 de fevereiro: receberão o barrete sete italianos e 15 estrangeiros. Dez neopurpurados presidem dicastérios vaticanos: cresce o "partido romano" e, portanto, a influência do secretário de Estado, Tarcisio Bertone, ao qual estão ligados os curiais Calcagno, Versaldi, Coccopalmerio, Bertello e Santos Abril y Castelló.
Mais da metade dos eleitores europeus (67 de 125), e um quarto são italianos (30). Reforça-se também a patrulha norte-americana (15, incluindo o arcebispo de Nova York, Dolan) e a asiática (9), enquanto permanece essencialmente parado o componente sul-americano (de 21 para 22) e cai o africano (cairá para 10 assim que o nigeriano Arinze completar 80 anos, perdendo o direito de voto).
Bento XVI supera em três unidades o teto dos 120 fixado por Paulo VI. O bispo de Hong Kong, John Tong, 72 anos, será o único cardeal chinês eleitor, enquanto a prática que nega a púrpura ao líder de uma diocese cujo antecessor tenha menos de 80 anos foi aplicada para Nosiglia, em Turim, mas não para Betori, em Florença, nem para Collins, em Toronto.
Não figuram na lista o ministério da Saúde, Zimowski, o responsável pela nova evangelização, Fisichella (apesar de estar envolvido no Ano da Fé proclamado por Bento XVI) nem, surpreendentemente, o patriarca maronita do Líbano, Bechara Rai (acusado em seu país de ser muito pró-Síria).
Que os bispos sigam o exemplo dos Magos, sejam "vigilantes e não busquem a glória mundana", advertiu Bento XVI nesta sexta-feira: hoje, busca-se narcotizar a inquietação do coração, mas "a verdadeira supernova que nos guia é Cristo".
Entram no "senado do papa" os residentes Duka (Praga), Eijk (Utrecht), o indiano de rito siro-malabar Alencherry, Woekli (Berlim, 55 anos, o mais jovem entre os purpurados).
Ficam excluídos do conclave os quarto com mais de 80 anos: o belga Ries, o romeno de rito greco-católico, Marusin, e os dois teólogos Becker e Grech.
Com o consistório de fevereiro, os eleitores nomeados por Bento XVI sobem para 63 e superam os purpurados criados por Wojtyla (62). Embora Ratzinger, aos 84 anos, esteja saudável, está mais claro agora que, na escolha do seu sucessor, terão um papel fundamental os cardeais italianos e a Cúria Romana.
O pontífice traça o perfil do pastor. O bispo "deve ser um homem de coração inquieto, que não se contente com as coisas habituais deste mundo", mas "segue a inquietação do coração que o leva a se aproximar interiormente, cada vez mais, a Deus, a buscar o seu rosto, a conhecê-lo cada vez mais, para poder amá-lo cada vez mais".
O modelo para a hierarquia eclesiástica são os Reis Magos: "O bispo também deve ser um homem de coração vigilante, que percebe a linguagem suave de Deus e sabe discernir o verdadeiro do aparente". E que também suporta a zombaria: "Repleto da coragem da humildade, não se interroga sobre o que a opinião dominante diz dele. Obtém o critério de medida da verdade de Deus e é capaz de preceder e de indicar o caminho". Um programa de governo.