Quarenta anos da Teologia da Libertação

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Por: André | 20 Dezembro 2011

Há 40 anos, um pequeno livro de um sacerdote peruano estremeceu a Igreja católica ao sentar as bases da Teologia da Libertação, uma reflexão acusada de marxista por ressaltar a opção de Deus pelos pobres, mas também elogiada por renovar a mensagem dessa religião.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 17-12-2011. A tradução é do Cepat.

O livro Teologia de Libertação. Perspectivas [Vozes], de 1971, é considerado o ato teórico fundacional que deu nome ao movimento teológico mais importante nascido na América e foi escrito pelo peruano Gustavo Gutiérrez, hoje com 83 anos e sacerdote dominicano.

“A ideia era dizer que Deus acompanhava os povos do Terceiro Mundo, que estava do seu lado na busca pela Terra Prometida, mas uma Terra Prometida que significava terra, liberdade, justiça, dignidade”, explicou o professor Jeffrey Klaiber, historiador das religiões na Universidade Católica de Lima.

Em uma América Latina marcada pela desigualdade social e pelas ditaduras das décadas de 1960 e 1970, essa linha “captou a imaginação” de vastos setores, desde a Nicarágua de Somoza até as Filipinas de Marcos, encontrando ecos na África, segundo Klaiber.

Gustavo Gutiérrez afirmou que “na Teologia da Libertação (TdL) a pobreza significa insignificância social, ela não se limita à sua dimensão econômica; pobre é o insignificante e excluído por diferentes razões, dali a gravidade da desigualdade social que sofremos no Peru”.

“Essa teologia segue presente na América Latina, apesar das quatro décadas transcorridas, e sua mensagem central (a opção preferencial pelos pobres) repercute sobre a tarefa pastoral da Igreja”, disse Gutiérrez.

“Bastaria tomar as conclusões da Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe em Aparecida (Brasil, 2007) para dar-se conta disso”, evocou o sacerdote peruano sobre a reunião encabeçada pelo papa Bento XVI.

A opção pelos pobres entusiasmou em um primeiro momento Roma, sob o papa Paulo VI (1963-1978), que designou bispos progressistas para a região com o maior número de fiéis católicos. Contudo, João Paulo II (1978-2005), formado no anticomunismo, a questionou alegando que fomentava a luta de classes e poderia distanciar os fiéis dos setores médios e altos.

A ofensiva do Vaticano contra a Teologia da Libertação se traduziu na nomeação de bispos conservadores e se selou com dois documentos (“Instruções”) do então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, Bento XVI desde 2005.

“A primeira instrução foi negativa, mas a segunda foi mais positiva porque dizia que a história do cristianismo é uma história de libertação, de liberdade, e que os cristãos deviam apoiar a liberdade”, assinalou Klaiber.

“O importante é que os mal-entendidos, quando os houve, há tempo que foram superados através de um diálogo permanente e frutuoso”, ressaltou Gutiérrez sobre suas conversas com Ratzinger entre 1984-1986.

O paradoxo na posição de Roma é que foram o Concílio Vaticano II (1962) e a Conferência Episcopal Latino-Americana de Medellín (1968) que serviram de inspiração para a TdL.

Klaiber acredita que, “como corrente intelectual, o tempo da TdL já passou, mas seu espírito continua vigente e ativo no terreno, nas paróquias pobres e amazônicas mesmo que ninguém ouse pronunciar seu nome por medo da hierarquia”.

O cardeal peruano Juan Luis Cipriani, primeiro cardeal da Opus Dei nomeado por João Paulo II no mundo, não aceitou fazer um comentário sobre a TdL quando lhe foi solicitado.

“O que se pratica, na verdade, é a mensagem cristã, o Evangelho, não uma teologia; esta contribui para a vida da Igreja na medida em que reflete sobre essa mensagem tendo em conta o momento que se vive”, matiza Gutiérrez ao responder sobre se reescreveria sem mudanças seu texto de 1971.

Gutiérrez não foi o único que impulsionou a TdL, que teve entre seus pioneiros o então sacerdote brasileiro Leonardo Boff e o colombiano Camilo Torres – que integrou as guerrilhas em seu país.

Os casos dos arcebispos de El Salvador, Oscar Romero, assassinado em 1980, e do brasileiro Hélder Câmara, são referências obrigatórias dos representantes da Teologia da Libertação, que teve no Brasil sua base maior.

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