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19 Dezembro 2011

Sábado de manhã, ruas lotadas no Centro e shopping centers apinhados na capital paulista. A sociedade não se pergunta a razão de roupas serem vendidas a preço tão baixo. Apenas compra, compulsivamente.

O comentário é de Leonardo Sakamoto, jornalista, publicado no seu blog, 18-12-2011.

O governo também não reclama, porque há impostos. Grandes confecções não reclamam, afinal essa estrutura lhe dá lucro. O setor empresarial não reclama, haja vista que roupas baratas ajudam a manter baixo o custo de reprodução social dos seus empregados. E segurar as pressões por aumento de salários.

Ninguém se pergunta como algo de valor pode custar tão barato. Ninguém faz a ligação de algumas gôndolas bonitas com as imagens de trabalhadores superexplorados em decrépitas oficinas de costura, seja em São Paulo, seja no Sudeste Asiático, ganhando uma miséria para que fiquemos bem vestidos.

Mas também é hora de comprar aquele carro dos sonhos! As concessionárias vão bombar neste domingo. Os vendedores terão resposta para o consumo de combustível, a potência, o tamanho do porta-malas. Mas ao perguntar se garantem a origem social e ambiental do produto, certamente farão cara de paisagem. 

Hoje, ao comprar um carro, você não tem como saber se o aço ou o couro que entrou na fabricação do veículo foram obtidos através de mão-de-obra escrava ou trabalho infantil ou se beneficiando de desmatamento ilegal. Por que? Porque essas empresas não rastreiam como deveriam os fornecedores de seus fornecedores, apesar das comprovações de ilegalidades apontadas pelo Ministério Publico Federal e pela sociedade civil. E nas suas cadeias produtivas, já apareceram nomes que constavam da lista de embargos do Ibama ou da “lista suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho e Emprego.

Então, um celularzinho?

Você sabia que vários dos seus equipamentos eletrônicos não funcionariam sem ouro? Os equipamentos de transmissão de voz necessitam de 30 diferentes tipos de metal para funcionar. E muitos desses metais são extraídos em minas de países pobres nas quais trabalhadores enfrentam condições de trabalho aterradoras. Na República Democrática do Congo, 50 mil crianças, algumas delas com apenas sete anos de idade, trabalham em minas de cobre e cobalto por jornadas exaustivas sem nenhum tipo de proteção.

Em outras regiões, vilas inteiras foram removidas para dar mais espaço para a mineração. E enquanto alguns pequenos garimpeiros conseguem sustentar suas famílias (basicamente com comida e remédios) com muita dificuldade, companhias mineradoras e negociadores enchem os bolsos por conta do comércio de matérias-primas minerais.

O meio ambiente também sofre cada vez mais por conta do nosso apetite irrefreável por todos os últimos lançamentos de gadgets eletrônicos. Em Norislk, na Rússia, onde níquel, cobalto, platina e paládio são extraídos para a produção de componentes eletrônicos, a poluição do ar é tão alta que muitas crianças sofrem com doenças nos pulmões de incapacidade respiratória.

De 2003 até hoje, a Repórter Brasil rastreou mais de 600 casos de cadeias produtivas com danos sociais e ambientais (da matéria-prima até o consumidor final), contribuindo com o desenvolvimento de políticas públicas e corporativas visando à mudança no comportamento empresarial e governamental. Se um punhado de jornalistas consegue fazer isso com poucos recursos, uma grande empresa tiraria esse desafio de letra. Se quiser.

Cobrar daqueles que nos vendem um produto decente – em todos os sentidos. A responsabilidade é deles de garantir isso. Mas também do Estado, que deve elaborar e fazer cumprir leis e regras nesse sentido. E nossa, de encher a paciência deles, preferindo uns, execrando outros. Há muita informação circulando – este blog traz, sistematicamente, fontes de dados sobre bons produtos.

OK, concordo que não é possível bloquear tudo o que causa impacto, caso contrário, não viveríamos – ninguém está defendendo que produzamos nossa própria roupa ou moremos em cavernas. Mas se cobrarmos explicações das empresas toda vez que denúncias vierem à público, incluindo nosso boicote, certamente a percepção de investidores dessas mesmas ou de seus clientes será diferente. A imagem é tudo.

Mas, afinal, é Natal. Tempo de união e paz. Para mim e os meus, é claro. O outro, que se dane

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