Homossexualidade no clero. Universidade jesuíta discute o tema

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11 Dezembro 2011

Apesar de estar rodeada de um velho silêncio, a questão da homossexualidade entre sacerdotes é um "tema real", com respeito ao qual "não se pode fingir ignorância". Por isso, no Estado de Connecticut, nos Estados Unidos, os jesuítas decidiram falar sobre este tema publicamente. E deste modo, por primeira vez, uma universidade católica organizou recentemente um simpósio sobre a controvertida questão da homossexualidade dentro das comunidades de religiosas e sacerdotes. Segundo a doutrina católica, os gays têm que ser acolhidos com respeito e delicadeza, sendo por isso preciso evitar todo tipo de sinais de injusta discriminação. Contudo, a Igreja, apesar de respeitar as pessoas homossexuais, não admite no seminário nem nas ordens sacras pessoas que pratiquem a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente arraigadas ou apóiem a chamada cultura gay. Essas pessoas, de fato, se encontram numa situação que obstaculiza gravemente uma correta relação com homens e mulheres.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e publicada por Vatican Insider, 09-12-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Como a prática se diferencia da teoria, a Companhia de Jesus pensou que é melhor eliminar os velhos muros do silêncio cúmplice, comprometendo-se num terreno resvaladiço através de uma de suas prestigiosas instituições acadêmicas nos Estados Unidos. 110 pessoas, entre teólogos, membros do clero, religiosas e seminaristas participaram da jornada de estudos promovida pela Universidade dos jesuítas "Fairfield", jornada à qual se deu o título "O cuidado das pessoas: diversidade sexual, celibato e ministério". Histórias pessoais, princípios gerais, aprofundamentos ou situações específicas se entrelaçaram no debate. A Igreja, de fato, distingue ente atos e tendências homossexuais.

Os atos constituem pecados graves: para a tradição são intrinsecamente imorais e contrários à lei natural, razão pela qual não podem ser aprovados em nenhum caso. As tendências homossexuais profundamente arraigadas, por sua vez, são também objetivamente desordenadas e constituem, amiúde, uma prova. Numa época de escândalos sexuais, criam alarme na Igreja as consequências negativas que derivam da ordenação de pessoas com tendências homossexuais profundamente arraigadas. Se, em troca, se tratar de tendências homossexuais que expressem somente um problema transitório (como o de uma adolescência ainda não concluída), essas tendências, de qualquer modo, devem ter sido claramente superadas pelo menos três anos antes da Ordenação diaconal.

Sob o perfil do Magistério, a pedra angular é a "Instrução" da Congregação para a Educação Católica, com a qual, há seis anos, a Santa Sé proibiu aos homossexuais o acesso ao sacerdócio. Segundo a carta, portanto, o problema ficou resolvido: nenhum gay nos seminários, nem nas ordens religiosas, nenhum sacerdote que "pratique" a homossexualidade, que tenha "tendências homossexuais profundamente arraigadas", nem que sustente a "chamada cultura gay". O Vaticano lhes fechou definitivamente as portas com um documento de nove páginas divididas em três capítulos: "Maturidade efetiva e paternidade espiritual" - "A homossexualidade e o ministério ordenado" - "O discernimento da idoneidade dos candidatos por parte da Igreja". O candidato ao sacramento da Ordem tem que alcançar a maturidade efetiva que o capacitará para situar-se numa relação correta com homens e mulheres. Com base nas regras dispostas em 2005 por Bento XVI, basta "uma só dúvida séria" com respeito à homossexualidade do candidato (expressa pelos superiores que o acompanham) para fechar-lhe a passagem ao sacerdócio ministerial.

Nas entrevistas com o seminarista, o diretor espiritual deve recordar especificamente as exigências da Igreja referentes à castidade sacerdotal e à maturidade afetiva específica do sacerdote. Para cada um dos aspirantes a sacerdote é necessário certificar-se de que tem todas as qualidades necessárias e de que não apresenta desajustes sexuais incompatíveis com o sacerdócio.

Se um candidato praticar a homossexualidade ou apresentar tendências homossexuais profundamente arraigadas, seu diretor espiritual, assim como seu confessor, têm o dever de dissuadi-lo em consciência de seguir em frente para a Ordenação. Frente aos aspirantes seminaristas que apresentam uma orientação homossexual, o objetivo das hierarquias eclesiásticas é tirar-lhes a intenção de mentirem aos seus superiores para conseguirem entrar no seminário. Certamente o próprio candidato é o primeiro responsável pela própria formação e tem que submeter-se confiadamente ao discernimento da Igreja. Seria gravemente desonesto que o candidato ocultasse a própria homossexualidade para aceder, apesar de tudo, à Ordenação. Uma atitude tão falsa não corresponde ao espírito de verdade, de lealdade e disponibilidade que deve caracterizar a personalidade de quem crê ter sido chamado a servir a Cristo. O discernimento da idoneidade à ordenação deixa em mãos do diretor espiritual um dever muito importante.

Embora vinculado pelo segredo, ele representa a Igreja no foro interno. Nas entrevistas com o candidato o diretor espiritual deve recordar especificamente as exigências da Igreja referentes à castidade sacerdotal e à maturidade afetiva específica do sacerdote, bem como ajudá-lo a discernir se possui as qualidades necessárias. Os bispos, as Conferências episcopais e os superiores maiores são chamados a vigiar pelo bem dos próprios candidatos ao sacerdócio e sempre garantir à Igreja sacerdotes idôneos. Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente arraigadas, seu diretor espiritual, bem como seu confessor têm o dever de dissuadi-lo, em consciência, de seguir em frente para a Ordenação. Concretamente, no entanto, a aplicação da regra é difícil. E, entre os seminaristas e os religiosos, a presença gay nas comunidades masculinas e femininas continua sendo um "dado real". Por esse motivo, os jesuítas tomaram a decisão: chegou a hora de fazer um debate à luz do sol.

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