A energia nuclear é mais cara que as energias renováveis

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Por: André | 09 Dezembro 2011

"A maioria das técnicas, em vista de seu desenvolvimento, vê o seu custo diminuir por efeito da aprendizagem, e é o caso das energias renováveis; mas, com a energia nuclear, dá-se o contrário: quanto mais se desenvolve, mais cara fica". A afirmação é de um coletivo de ativistas franceses, em artigo publicado no jornal francês Le Monde, 08-12-2011. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

A afirmação é martelada a ponto de passar por uma evidência: a energia nuclear seria mais barata que as energias renováveis. "Corolário": diminuir a parte da primeira para desenvolver as renováveis, como propõe, por exemplo, o acordo Europa Ecologia dos Verdes-PS, aumentaria o preço da eletricidade, empobreceria as famílias e levaria as fábricas a se mudarem. No entanto, esta afirmação já é falsa e sê-lo-á ainda mais no futuro.

Se a eletricidade é menos cara na França do que na maioria dos outros países da Europa, é porque o Estado, durante muito tempo, subvencionou o desenvolvimento do parque nuclear e porque o nível atual da tarifa regulamentada não permite financiar a renovação do parque, independentemente das escolhas futuras entre energia nuclear, centrais térmicas e energias renováveis. A recente evolução dos custos de produção elétrica é, a esse respeito, iluminadora.

A partir dos anos 1980, o programa nuclear francês viu o seu custo aumentar, evolução que apenas se prolonga com o superpotente reator EPR [Reator Europeu Pressurizado]. Esta deriva se observa especialmente nos custos de investimento, uma questão muito importante. Como mostra um artigo publicado na revista científica Energy Policy, o custo de investimento nas centrais nucleares francesas foi multiplicado por 3,4 em 25 anos, mesmo deduzindo o aumento do nível geral dos preços. O EPR só faz prosseguir esta trajetória dado que, supondo – hipótese otimista – que a fatura final não excede a última estimativa (seis bilhões de euros), atingimos 3,64 euros o watt – 4,7 vezes mais que em 1974.

Outro problema, estes custos não levam em conta o desgaste das centrais em fim de vida útil, aqueles da gestão dos desperdícios, o risco de acidente e os diversos custos de funcionamento. A maioria das técnicas, em vista de seu desenvolvimento, vê o seu custo diminuir por efeito da aprendizagem, e é o caso das energias renováveis; mas, com a energia nuclear, dá-se o contrário: quanto mais se desenvolve, mais cara fica.

Uma queda impressionante

Em comparação, de acordo com a Agência de Meio Ambiente e Energia, o custo de investimento da energia eólica terrestre era de 1,30 euro o watt, em 2009. Mesmo "normalizado" para levar em conta a intermitência, o custo de investimento da energia eólica é cerca de 15% inferior ao do EPR, incluído o desgaste. E, de acordo com uma análise da Bloomberg, o custo da eletricidade de origem eólica, já dividido por 4,5 desde os anos 1980, deverá diminuir ainda 12% nos próximos cinco anos.

Quanto à energia solar extraída de painéis fotovoltaicos, ela conheceu uma queda impressionante: no começo de 2011, um módulo fotovoltaico custava, em média, 1,20 euro o watt na Europa, contra 4,2 euros o watt dez anos antes. Há alguns meses, a média no mercado alemão é de 1 euro o watt. Mesmo normalizado para levar em conta a intermitência, o custo dd investimento em energia fotovoltaica ultrapassa o do EPR (incluindo o desgaste) em apenas cerca de 25%. Além disso, os profissionais do setor antecipam ainda uma diminuição de 35% a 50% dos custos até 2020. Como escreveu o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, "se a tendência à queda continua (e ela parece acelerar-se) estamos apenas a alguns anos do ponto em que a produção de eletricidade a partir de painéis solares tornar-se-á menos cara que a partir do carvão". Para simplificar, os cálculos apresentados aqui deixam de lado os custos de funcionamento, mas estes são da mesma ordem de grandeza entre energia eólica e energia nuclear, e mais baixos para a energia fotovoltaica. Do mesmo modo, se houver a necessidade de um reforço da rede em caso de desenvolvimento das energias renováveis, o mesmo se dá no caso do EPR (340 milhões de euros para a linha Cotentin-Maine necessária para o EPR de Flamanville).

Vivemos um momento histórico: aquele em que as energias renováveis tornam-se menos dispendiosas que a eletricidade de origem nuclear ou fóssil, além de pagar menos por suas externalidades negativas: emissões de CO2, riscos de acidentes, desperdícios radioativos...

A França vai se debruçar sobre uma técnica ultrapassada, ou se voltará para a única maneira sustentável de produzir energia: a mobilização dos fluxos de energia renovável, e, indissociável a isso, das economias de energia?

Sandrine Mathy, presidente da RAC (Rede de Ação Climática)
Isabelle Autissier, presidente da WWF France
Madeleine Charru, presidente do CLER
Adélaïde Colin, porta-voz do Greenpeace France
Bruno Genty, presidente da Nature Environnment francesa
Stéphen Kerckhove, delegado geral da associação Agir pour l’Environnement
Sébastien Lapeyre, diretor do CNIID (Centre National d'Information sur les déchets Independente)
Serge Orru, diretor geral da WWF France

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