''Já estamos na injustiça climática''. Entrevista com Pascal Acot

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05 Dezembro 2011

"Mas a luta entre ricos e pobres prejudicará a todos". O aumento da temperatura afeta com mais força aqueles que têm responsabilidade mínimas pelo efeito estufa.

A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada no jornal La Repubblica, 05-12-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Um dos pontos a serem abordados em Durban refere-se à injustiça climática. Os efeitos do aumento da temperatura, com o relativo crescimento de fenômenos extremos como as inundações, os furacões, as secas prolongadas, recai em grande parte sobre os países mais pobres, isto é, atinge com mais força aqueles que têm uma responsabilidade mínima pelas emissões de gases do efeito estufa, que são causados principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e pela erosão das florestas tropicais".

Pascal Acot, filósofo e pesquisador de história da ciência no CNRS [Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França], olha com preocupação para a conferência da ONU em Durban, que terminará na próxima sexta.

Eis a entrevista.

Por que atinge sobretudo os mais pobres?


Por dois motivos. O primeiro é que falamos de países muitas vezes situados na faixa tropical, que é uma daquelas em que o aumento da temperatura será maior. O segundo é que eles não dispõem dos instrumentos econômicos necessárias para reduzir os danos causados pelas mudanças climáticas.

A revolta das vítimas do caos climático pode um elemento de novidade capaz de acelerar um acordo?

Eu sou pessimista. Neste momento, os principais sinais vão na direção oposta. Vejo o Canadá, que também quer se libertar do último ano de compromisso com o Protocolo de Kyoto, que expira no fim de 2012; os Estados Unidos, que têm uma maioria parlamentar contrária ao entendimento vinculante sobre o clima; a China que se tornou o poluidor número um e não quer aderir aos acordos globais. Resta a Europa, mas ela está isolada.

Uma das hipóteses é um adiamento do pacto em defesa do clima. Falar-se-ia a respeito dele depois de 2020.

É um absurdo, um verdadeiro absurdo. Estamos diante de um risco de porte epocal. O momento certo para intervir não é ontem, mas sim anteontem. E ainda querem esperar mais anos?

O que deveria ser feito imediatamente?

É preciso uma mudança radical do sistema energético que nos permita parar de usar combustíveis fósseis. Não é uma intervenção que pode ser adiada, porque os cientistas demonstraram a existência de uma alta margem de risco: o equilíbrio climático, que já está em crise, pode sofrer um colapso em um espaço de tempo muito breve.

Mas ainda há debate sobre a alternativa energética. O governo francês defende a energia nuclear em uma Europa onde muitos países, começando pela Alemanha, decidiram abandonar o átomo.

Depois de Fukushima, tudo mudou. Até na França, onde a oposição socialista anunciou, em caso de vitória, o fechamento de um número considerável de usinas nucleares. Em todo caso, os motores do novo arranjo energético serão outros: um forte aumento da eficiência, o desenvolvimento das fontes renováveis que hoje conhecemos e investimentos em pesquisa para continuar melhorando a nossa tecnologia.

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