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Desde a catástrofe de Fukushima, futuro energético do Japão é incerto

Desde o início da crise nuclear em março, o Japão vem se perguntando sobre seu futuro energético. Somente 11 de seus 54 reatores nucleares estão em funcionamento hoje, e todos poderão ser desativados até a primavera [no hemisfério norte] de 2012.

A reportagem é de Philippe Mesmer, publicada pelo jornal Le Monde e reproduzida pelo portal Uol, 25-11-2011.

Isso quer dizer que o Japão está indo na direção do abandono da energia nuclear? É difícil afirmar, embora na última edição do Livro Branco sobre a Energia, publicado no dia 31 de outubro, o governo tenha anunciado a suspensão da política de promoção da energia nuclear e tenha defendido uma diminuição na dependência por esse tipo de energia.

Em maio, ele criou uma comissão encarregada de "começar do zero a estratégia energética do Japão". Ela deve revelar em dezembro as linhas gerais dessa nova estratégia, que tem como uma das principais questões o custo.

Até hoje, o valor do abandono do programa nuclear não foi calculado, mas estimativas dão indicações sobre o preço de diferentes opções. O Ministério da Economia, do Comércio e da Indústria (METI) calculou em 2009 que a suspensão imediata de todo o parque nuclear significaria recorrer às usinas térmicas, o que aumentaria a despesa energética do Japão em 3,16 trilhões de ienes (R$ 77,2 bilhões) por ano.

O Ministério do Meio Ambiente avaliou o potencial das energias renováveis no país. Em um estudo feito em abril, ele calculou que o Japão poderia gerar 1.978 gigawatts (GW) de eletricidade de origem solar, eólica ou ainda geotérmica, o suficiente para dispensar a energia nuclear, que fornece 28% da produção total, estabelecida em 1.048 GW em 2009.

Oportunidades interessantes

Mas a qual preço? O Ministério do Meio Ambiente calculou que, para produzir 1 kW de eletricidade de origem solar, é preciso desembolsar 597 mil ienes (R$ 14.588), unicamente para a fabricação do sistema e sua implantação, e 250 mil ienes (R$ 6.105) para 1 kW de origem eólica.

A isso se somam os estudos de viabilidade –a 46,7 milhões de ienes (R$ 1,15 milhão) para uma usina eólica de capacidade de 20 MW–, a manutenção ou ainda a distribuição. Atualmente, ao levar em conta todos esses elementos, o quilowatt/hora fotovoltaico custa cerca de 42 ienes (R$ 1), o de origem eólica cerca de 20 ienes, e o de origem nuclear, 6 ienes.

Além do fato de que uma produção em massa poderia fazer baixar os preços, recorrer às energias renováveis oferece oportunidades interessantes. O governo lançou um amplo projeto de construção de 600 turbinas eólicas, sendo 200 na costa de Tohoku, a região devastada no dia 11 de março e a mais importante "jazida" de vento do Japão.

Elas produzirão 1 GW de eletricidade por ano. Um dos objetivos é sustentar as empresas japonesas do setor, favorecer a inovação e, sobretudo, combater o desemprego, uma vez que as autoridades calcularam que a fabricação de uma turbina eólica de 1 MW criaria 15 empregos.

Ao mesmo tempo, a manutenção da energia nuclear também custa muito caro. É verdade que o quilowatt/hora só custa 6 ienes, mas esse número não leva em conta a gestão dos resíduos e a desmontagem dos reatores.

Quanto a esse aspecto, o METI calculou que o tratamento do combustível usado, a reciclagem de matérias físseis e a gestão dos resíduos custariam 19 trilhões de ienes (R$ 466 bilhões) em 80 anos.

E há ainda o custo da desmontagem dos reatores. A dos reatores 1 e 2 da usina de Hamaoka, iniciada em 2008, deverá ultrapassar os 300 bilhões de ienes se o prazo estabelecido em dez anos for respeitado, o que está longe de ser garantido. Quanto às consequências do acidente da usina de Fukushima, os últimos cálculos até agora são de 4,99 trilhões de ienes (R$ 121 bilhões).

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