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18 Novembro 2011

A presidente Dilma Rousseff enfrentará reações no movimento negro se forem confirmadas as informações de que pretende extinguir a Secretaria de Políticas da Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Militantes de todas as tendências consideram a proposta um retrocesso político. Por outro lado, a presidente ganhará aplausos se, além de manter a secretaria, trocar a atual titular. No movimento negro e até em alguns setores do PT, é cada vez maior o descontentamento com a atuação de Luiza Bairros.

A reportagem é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-11-2011.

Na avaliação dos críticos da ministra, ela mostra pouca disposição para o diálogo com organizações sociais e ignora demandas petistas. Até circula em Brasília o comentário de que ela nem faz parte da cota do PT na Esplanada dos Ministérios. Na verdade, integraria a cota do governador baiano Jaques Wagner (PT), que, saiu das eleições de 2010 com cacife para indicar dois ministros: Luiza e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário).

Curiosamente, os dois frequentam todas as listas de apostas sobre nomes passíveis de serem substituídos por Dilma na esperada reforma ministerial em janeiro.

Além da indisposição para o diálogo, vista como falta de habilidade política, Bairros é criticada pelo fraco desempenho da Seppir. Desde que assumiu, há mais de dez meses, o feito de maior repercussão da gestão foi uma polêmica com a Caixa Econômica Federal, por causa de um comercial de TV no qual Machado de Assis apareceu mais branco do que era na realidade.

Não houve quem discordasse da reação, mas surgiram críticas à forma pouco diplomática como foi tratada a polêmica entre dois órgãos federais. A questão poderia ter sido resolvida de forma mais discreta, especialmente porque a Caixa é uma tradicional patrocinadora de campanhas em defesa da igualdade racial.

Mal-estar

O descontentamento com Luiza começou logo após sua posse, com a decisão de promover uma ampla mudança no quadro de funcionários da pasta, deixando claro que sua gestão não seria uma simples continuidade da anterior. O mal-estar aumentou quando apresentou à Secretaria de Comunicação da Presidência a ideia de uma campanha com o seguinte mote: Igualdade Racial, Agora É Pra Valer.

Houve quem achasse que estava avançando demais na demarcação de governos, após toda a campanha de Dilma ter defendido a ideia de que seria um governo de continuidade. No final a campanha acabou entrando em cena com o título amaciado para: Igualdade Racial É Pra Valer.

As divergências ficaram restritas ao âmbito dos gabinetes até dias atrás, quando o presidente da Federação Nacional da Tradição e Cultura Afro-brasileira, Walmir Damasceno, manifestou ao líder da bancada do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), seu descontentamento com Luiza. Na mesma ocasião, ele pediu ao petista que sugerisse a Dilma a destituição da ministra na esperada reforma de janeiro.

Na avaliação de Damasceno, a ministra só ouve alguns poucos assessores - na maioria, ligados a ONGs com as quais ela trabalhava na Bahia antes de ser indicada para o ministério. "Ela precisa ser mais republicana", diz.

Luiza também é criticada por setores do PT. "A ministra age como se a secretaria tivesse começado com ela. Virou as costas para o movimento social e para o PT, partido que teve um papel fundamental nas lutas pela igualdade racial", acusa Claudio Silva, da Secretaria do Combate ao Racismo do PT em São Paulo e membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial. "Ela não está ouvindo nem o conselho."

Na mesma medida em que engrossam as críticas à ministra, também aumenta o coro dos que se opõem à extinção da Seppir, que seria incorporada à Secretaria de Direitos Humanos, sob a batuta da ex-deputada e atual ministra Maria do Rosário (PT-RS). "A Seppir é uma conquista histórica do movimento negro na luta contra o racismo", observa Martvs Chagas, diretor de fomento da Fundação Cultura Palmares e membro do diretório nacional do PT.

PC do B dá mais apoio à ministra que o próprio PT

Na avaliação de um ex-titular da Seppir, é possível que as críticas à atual ministra Luiza Bairros se devam a interesses contrariados por sua gestão. O movimento negro está dividido em várias tendências e nem todas se afinam com a linha da ministra. Outra dificuldade seria o fato de Luiza ter proximidade com o PT da Bahia, mas relações fracas com os petistas de outros Estados.

Curiosamente, quem mais defende a permanência dela no cargo é o PC do B, partido que tem um braço forte no movimento negro e controla cargos importantes na Seppir desde que foi criada, em 2003.

Diante dos comentários de substituição de sua apadrinhada, o governador baiano Jaques Wagner (PT) também saiu em sua defesa. Ontem, em Salvador, na abertura do Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes, ele anunciou que dira à presidente Dilma Rousseff que Luiza tem apoio da base social e que a Seppir deve ser mantida. A fala de Wagner ocorreu logo após a ministra ter sido entusiasticamente aplaudida no encontro.

Wagner terá oportunidade de conversar sobre o tema com Dilma amanhã, quando ela participa da sessão de encerramento da reunião. Apesar do entusiasmo do governador, é notório que a secretaria, criada em 2003, perdeu visibilidade durante a atual gestão. Há quem atribua isso ao fato de Luiza ser avessa à mídia. Outros falam em ausência de propostas. E há também quem associe o encolhimento da Seppir ao estilo de governo de Dilma, que define grandes projetos e metas e agrega a eles o conjunto dos ministérios. Nesse contexto. Luiza estaria encarregada, entre outras coisas, de fazer com que o programa Brasil Sem Miséria alcance o maior número possível de comunidades negras.

Além da indicação de Wagner, Luiza chegou a Brasília como parte do projeto de Dilma de engrossar a cota de mulheres em seu governo. A dúvida é se essas credenciais serão suficientes para mantê-la no cargo.

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