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Posição do País no IDH deixa Lula "iradíssimo" e governo reage

O resultado do relatório Índice de Desenvolvimento Humano 2011, que colocou o País na 84.ª colocação entre 187 países, provocou uma rápida e irada reação do governo brasileiro, incitada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se em Cannes, onde participa da reunião do G20, a presidente Dilma Rousseff não tocou no tema, em São Paulo seu antecessor ligou prontamente para o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, seu amigo e ex-chefe de gabinete. Lula, contou o ministro, ficou "iradíssimo" por considerar injusto o resultado e cobrou que o governo reagisse.

Foi atendido. Logo depois do telefonema, o próprio Carvalho falou sobre o assunto.

A reportagem é de Lisandra Paraguassu e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 04-11-2011.

No meio da tarde, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, chamou uma entrevista de emergência. Ela negou que a reação tivesse algo a ver com a reação do ex-presidente. "Fizemos uma reunião entre os ministros apenas hoje e decidimos dar a posição do governo. Nós só recebemos o relatório há dois dias." Mas as restrições apresentadas por ela ao IDH foram as mesmas ressaltadas por Lula na conversa com Carvalho.

Tereza esclareceu que, no Índice de Pobreza Multidimensional, o relatório usa números de 2006, o que impede o registro de avanços significativos do País nos últimos cinco anos. "É justamente depois de 2006 que o Brasil avançou significativamente nas questões da pobreza multidimensional. A partir de 2007, incorpora-se uma parcela grande de pessoas ao Bolsa Família, há a valorização do salário mínimo, da agricultura familiar, ampliação significativa do programa Luz para Todos. Se conseguirmos incorporar os números mais recentes no próximo relatório, certamente teremos um salto muito grande", disse.

A ministra, assim como Carvalho, ressaltaram os pontos positivos do relatório. "Nossa avaliação é que o relatório reflete o enorme esforço que o Brasil tem feito no avanço das políticas sociais nos últimos anos", disse.

Carvalho afirmou que o governo não quer polêmica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), responsável pelo IDH. O ministro se queixou de que "os números das instituições brasileiras não foram utilizados", mas ressalvou que entende que é preciso ter respeito e cautela nessa questão, lembrando que "tem uma questão de metodologia do Pnud". Mas defendeu que "vale a pena uma discussão em torno da metodologia que é usada".

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