"Mea culpa": as diferenças entre Wojtyla e Ratzinger

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01 Novembro 2011

As Jornadas Inter-Religiosas de Assis e os mea culpa são, talvez, as heranças wojtylianas mais comprometedoras para Bento XVI: ele não pretende evitá-las, tão centrais elas haviam sido no pontificado do seu antecessor, mas, ao assumi-las, ele pretende corrigi-las em aspectos não secundários.

A reportagem é de Luigi Accattoli, publicada no jornal Corriere della Sera, 30-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na quinta-feira passada, os dois desafios se somaram, porque a primeira Jornada de Assis (1986) que ele iria comemorar também foi a ocasião para um famoso "ato de penitência" pelas guerras combatidas pelos católicos na história.

Pode-se dizer – post factum – que o papa teólogo conseguiu garantir continuidades e correções junto com ambos os empreendimentos. Fidelidade e novidade na articulação da Jornada foram evidenciadas pelas crônicas do evento, que deram – como era óbvio que iria acontecer – menos atenção ao mea culpa sobre as guerras, formulado com palavras equivalentes às do antecessor, mas com um acréscimo revelador.

"Nem sempre fomos construtores de paz", havia dito João Paulo II em 1986, acrescentando que aquela Jornada queria ser "um ato de penitência". Bento XVI reconheceu analogamente que, "na história, também em nome da fé, faz-se recurso à violência" e que os cristãos estão "cheios de vergonha" por causa disso.

Até aqui as duas "confissões" se equivalem. Mas a de Bento XVI se diferencia por um acréscimo que se refere ao presente – de fato, não isento de manifestações de violência cristã –, enquanto a "penitência" wojtyliana naquela ocasião estava voltada ao passado: "É tarefa de todos aqueles que detêm alguma responsabilidade pela fé cristã purificá-la continuamente a partir de seu centro interior, para que seja verdadeiramente um instrumento da paz de Deus no mundo".

Com isso, são três os mea culpa sobre as guerras pronunciados até hoje pelo Papa Bento XVI: em duas ocasiões (12 de fevereiro de 2009 e 17 de janeiro de 2010), ele havia feito o seu pedido de perdão pelo Holocausto, ditado pelo antecessor, e em uma outra (11 de junho de 2010) tinha formulado a sua própria "confissão de pecado" pela pedofilia do clero.