"A próxima revolução será ambiental". O novo livro de Jeremy Rifkin

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31 Outubro 2011

"Só investindo na economia verde é que teremos futuro". "O problema não é a austeridade, mas sim a falta de um plano de desenvolvimento que está criando problemas. A Alemanha demonstra que um outro caminho é possível".

A reportagem é de Antonio Cianciullo, publicada no jornal La Repubblica, 26-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"A Itália cortou drasticamente os seus balanços econômicos obedecendo às disposições das finanças internacionais. E agora o que acontece? Ouve-se dizer que ela não é confiável, porque não existem fundos para sustentar o crescimento. Mas esse é um beco sem saída. Não é possível pensar em continuar eliminando postos de trabalho sem que se multipliquem movimentos de revolta como os que estão ganhando espaço na Itália e na Grécia. A Alemanha está demonstrado que um desenvolvimento diferente é possível. Por que vocês não seguem esse caminho?".

Jeremy Rifkin, presidente da Foundation on Economic Trends, foi a Roma para apresentar o seu último livro, La terza rivoluzione industriale, publicado pela editora Mondadori. O encontro devia ser um momento de debate acadêmico, mas se tornou parte de uma atualidade dramática.

Eis a entrevista.

A austeridade dos balanços econômicos está equivocada?

Não é a austeridade que está equivocada, é a falta de um plano de desenvolvimento que cria os problemas. Para sair da crise, é preciso de uma visão do futuro. É preciso compreender o nexo entre as três crises que enfrentamos: a financeira, a energética e a ambiental. O carvão e o petróleo, que animaram a primeira e a segunda revoluções industriais, estão em fase de esgotamento, um ciclo de crescimento que se pensava ser inesgotável acabou. E, enquanto isso, surgem os danos ambientais produzidos pelo uso dos combustíveis fósseis, porque o carbono, acumulado debaixo da terra em milhões de anos e de repente liberado na atmosfera, está modificando o clima.

Em suma, temos três crises em vez de uma.

Mas a soma das três crises oferece uma solução possível, contanto que se substitua a esperança ao medo, que se abandone a lógica das proibições e que se olhe para o objetivo a ser alcançado: fazer com que as empresas envolvidas na construção sustentável, nas fontes renováveis, nas telecomunicações, na química verde, na logística de emissão zero, na agricultura biológica decolem. A defesa do ambiente é um formidável motor de desenvolvimento e de emprego, não um fardo: na Itália, pode dar centenas de milhares de postos de trabalho.

No entanto, muitos, tendo que cortar gastos, fazem com que o machado caia justamente sobre os investimentos ambientais: o governo italiano chegou a reduzi-los em 90%.

Isso significa cortar o futuro, continuar atolado. É preciso fazer o contrário: levar a economia para o lado do novo, porque estamos no meio de uma passagem epocal, o salto da segunda para a terceira revolução industrial. O novo modelo se baseia em cinco pilares: as fontes renováveis; a transformação das casas em centros de produção de energia graças às microcentrais domésticas; o hidrogênio para armazenar a energia fornecida pelo sol e pelo vento durante os horários de pico; a criação das "smart grids", que são a internet de energia; os carros elétricos. É uma revolução que se completará até a metade do século.

Tempos longos não desencorajam os investimentos imediatos?

Não, porque o processo já começou, e tanto os perigos a serem evitados como as vantagens a serem obtidas estão presentes aqui e agora. Dos anos 1970 até hoje, o número dos furacões mais graves dobrou. E, em agosto de 2008, pela primeira vez desde 125 mil anos, foi possível navegar ao redor do Polo Norte, porque as geleiras haviam derretido.

E as vantagens?

Dou um par de exemplos. Tornar mais eficientes as casas nos Estados Unidos custaria 100 bilhões de dólares por ano, mas permitiria economizar energia por 163 bilhões de dólares por ano. E a mobilidade, na era em que a atenção se desloca da propriedade para o acesso às redes, oferece oportunidades semelhantes. A Zipcar, a empresa mais importante de compartilhamento de carros, em uma década de atividade, abriu milhares de sedes para disponibilizar os carros compartilhados aos seus clientes: ela cresce 30% ao ano e, em 2009, faturou 130 milhões de dólares.

Não há o risco de que essa perspectiva fascine os países mais industrializados, enquanto os outros continuam produzindo e poluindo no caminho antigo?

Os fatos nos contam uma história diferente: na China, multiplicam-se as batalhas para conquistar um espaço livre dentro das redes globais; no norte da África, vimos que ditaduras brutais foram derrubadas através das mídias sociais. O poder lateral, isto é, o direito ao acesso às redes da informação e da energia é a nova fronteira para mobilizar a geração da internet. Hoje, o confronto não é entre esquerda e direita, mas sim entre um modelo centralizado, autoritário e ineficiente, e um modelo baseado na descentralização, na transparência e na liberdade de acesso às redes.


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