A democracia energética, segundo Jeremy Rifkin

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26 Janeiro 2011

"Com a energia "faz por ti’ se criarão milhões de novos postos". As casas se transformarão em mini-centrais com um fluxo contínuo: não se deverá mais depender dos oligopólios, mas haverá uma troca entre produtores". A aposta de Jeremy Rifkin, o teórico da terceira revolução industrial, em entrevista concedida a Antonio Cianciullo e publicada pelo jornal La Repubblica, 23-01-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis a entrevista.

Mas esta revolução tecnológica, que se anuncia como epocal, conseguirá dar uma resposta concreta na época que a crise impõe?

Para criar trabalho em períodos rápidos, os setores da eficiência energética e das fontes renováveis são os mais aptos", responde Rifkin, antecipando os temas de seu estudo.

"Estamos vivendo uma passagem semelhante àquela que assinalou a passagem da época do carvão à do petróleo: é uma transição que com o tempo assegurará milhões de postos de trabalho e transformará o panorama político criando uma democracia energética. Todas as casas se transformarão em mini-centrais com um fluxo contínuo de energia entrando e saindo: não se deverá mais depender dos oligopólios, mas se terá um intercâmbio contínuo entre milhões de fontes energéticas. Um pouco como ocorre hoje com a Web: o sistema vertical, de alto a baixo, foi substituído por um sistema horizontal, a rede, mais seguro e mais confiável".

Soa como a descrição de uma utopia.

Há vinte anos atrás tinham imaginado o sucesso revolucionário da internet e os fundadores de sociedades que hoje valem mais do que muitos grandes grupos da indústria tradicional? Eles eram considerados visionários exaltados. Estou convencido que dentro de vinte anos nos encontraremos diante de uma surpresa análoga no front energético.

Milhões de postos de trabalho criados pelas energias renováveis?

Não só. Se olharmos além da produção de eletricidade, que é menos de um terço da energia que usamos, descortinamos outros campos de intervenção. Existe a necessidade de existir mais calor ou mais ar refrigerado, uma necessidade que aumentará com o progredir das alterações climáticas e, portanto, será preciso pôr mãos à obra nos edifícios. Deverão ser melhor dispostos, mais isolados, capazes de produzir a energia que consomimos: isso quer dizer desenvolver a pesquisa, inovar os materiais, multiplicar as minas renováveis, criar mão de obra especializada na construção dos novos sistemas, em sua instalação, na edilícia bioclimática.

E depois, há os transportes: até agora o setor resistiu à eficiência.

Porque faltaram o salto cultural e o tecnológico. De um lado, na maior parte das cidades não se conseguiu criar um sistema avançado de mobilidade pública. De outro, não houve a passagem da eletricidade ao hidrogênio: será este o futuro dos transportes. Teremos milhões de automóveis que viajarão de maneira silenciosa sem emitir gases nocivos. Milhões de baterias nas quais se poderá acumular a energia limpa obtida das fontes renováveis, pondo-a em rede quando o veículo não é usado. E um mar de novos indivíduos ocupados.

 

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