A carta dos quatro "marxistas ratzingerianos"

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28 Outubro 2011

A carta aberta, assinada por quatro intelectuais de formação marxista (Pietro Barcellona, Paolo Sorbi, Mario Tronti, Giuseppe Vacca) às vésperas do recente congresso de Todi, contém uma proposta que merece ser discutida, tanto pela qualidade dos proponentes, quanto pela temática que propõe.

A opinião é de Francesco Benigno, publicada no jornal L"Unità, 26-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A carta tem o tom de um convite à esquerda a se defrontar com as posições da Igreja, a partir das teses do Papa Bento XVI e do cardeal Bagnasco, consideradas como o campo mais adequado para cultivar uma visão crítica comum das falhas e das degenerações corrupções da sociedade contemporânea.

Trata-se, observam os quatro, de uma emergência antropológica: uma crise da democracia, cujo aspecto mais vinculante e significativo seria constituído pela manipulação da vida. O fundamento dessa convergência seria a condenação do relativismo ético e o confronto sobre o campo dos "valores inegociáveis", a partir da defesa da vida humana "desde a concepção".

Não se trata de uma medida de politique d"abord. O que exclui isso, antes ainda do que a própria carta, é a biografia dos signatários, mais propensos a imaginar estratégias e cenários de longo alcance do que táticas em uso no confronto político diário. Ao contrário, trata-se de um modo de repropor a discussão aberta em janeiro de 2004 por Jürgen Habermas e pelo então cardeal Ratzinger sobre as "bases morais do estado liberal". No centro da discussão, estão de fato, desde então, questões fundamentais que dizem respeito à "condição espiritual do tempo".

Uma condição pós-secular em que as religiões, longes de representar um elemento residual, constituem uam reserva de valores fundamental, tanto com relação à incapacidade dos sistemas democráticos de manter o que prometem implicitamente, quanto à defesa dos mecanismos da decisão pública de invasão de um mercado desregulado e de uma técnica subserviente a ele.

A essas questões basilares, os "marxistas ratzingerianos" oferecem, no entanto, uma resposta bastante parcial e problemática, que é afirmada às custas de uma dupla simplificação. A primeira é a de reduzir o papel da religião (e, mais amplamente, da religiosidade) no mundo contemporâneo ao da presença da Igreja Católica. Desde sempre, e ainda mais em um mundo globalizado, as religiões são diferentes, divergentes e – às vezes, infelizmente – conflitantes. A contribuição fundamental oferecida pela religião à reflexão contemporânea só pode ser, portanto, conjugada no plural.

Do mesmo modo, a carta sobrevoa não só as diferenças de posições no âmbito das religiões cristãs, mas também as internas à Igreja Católica. Bem diferente havia sido a posição de Habermas, para quem uma aliança entre a razão e as fés deveria se fundamentar no reconhecimento da autoridade da razão natural, isto é, sobre os resultados falíveis da ciência, além dos princípios universalistas do igualitarismo jurídico.

A justa busca de um patrimônio moral compartilhado por laicos e crentes dos mais diversos credos poderia, então, começar mais facilmente a partir de valores comuns: por exemplo, como lembrou Bagnasco em Todi, do ato de "tomar conta" da parte do corpo social dos mais pobres e dos mais indefesos, que "manifesta o nível de humanidade ou, ao contrário, de cinismo descarado, de um povo e de uma nação".

 

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