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Milhares de cientistas e a ONU estão preocupados com o uso do milho transgênico

O milho crioulo, originário do México, já que ali se encontram 59 de suas variedades, não apenas é o cultivo mais importante no mundo e faz parte do patrimônio cultural e alimentar da humanidade, mas também servirá para fazer frente à mudança climática e à fome, garantiu Antonio Turrent, vice-presidente da União de Cientistas Comprometidos com a Sociedade (UCCS).

A reportagem é de Angélica Enciso e está publicada no jornal mexicano La Jornada, 25-10-2011. A tradução é do Cepat.

Turrent asseverou que grande parte da plantação feita no país é das variedades nativas, razão pela qual acabar com elas e semear milho transgênico significaria uma produção próxima a zero do grão crioulo nessas áreas.

Não haverá maneira de deter o fluxo genético dos milhos transgênicos, razão pela qual se estenderá a todo o país em um caminho sem retorno. Os grãos geneticamente modificados também não representam produtividade maior, além de colocarem em risco os milhos nativos, assinalou.

O Greenspeace, Sementes da Vida e Raúl Hernández – ganhador do Iniciativa México 2010 – assinalaram que já se detectou milho contaminado com transgênicos. Por essa maneira, coloca-se em risco a condição privilegiada do México como reservatório genético.

Entidades internacionais privilegiadas, como a FAO, demonstraram sua preocupação com a contaminação genética no caso de se introduzirem cultivos transgênicos nos centros de origem, por exemplo, a batatinha transgênica na Bolívia ou o milho transgênico no México. Fizeram um apelo à organização Iniciativa México para não permitir que se contamine com a premiação o projeto Milhos Mexicanos, que, garantiram, foi financiado pela Monsanto, empresa transnacional que busca comercializar sementes transgênicas no país, as quais representam um sério risco de contaminação por fluxo genético os milhos mexicanos.

Aproximadamente mil cientistas nacionais e internacionais manifestaram sua preocupação com os riscos do uso de milho transgênico no México, e inclusive o relator especial da Organização das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, propôs, em sua recomendação oficial, a volta da moratória sobre as provas de campo e no cultivo comercial de milho transgênico, com a finalidade de proteger a biodiversidade das gramíneas.

Os consumidores serão afetados, pois o principal alimento – que provê 55% de ingestão calórica diária e 22% das proteínas aos mexicanos – será colocado em perigo. Também coloca em perigo a produção e variabilidade que possibilita a riqueza de pratos mexicanos, para cada um dos quais se requer uma variedade específica, disse Adelita San Vicente Tello, da Sementes da Vida.

Além disso, está demonstrado que a coexistência de milhos transgênicos e não transgênicos não é possível. É muito grave que indústria e governo façam falsas promessas para os problemas do campo, como os milhos transgênicos tolerantes a secas. É do conhecimento da Monsanto e dos funcionários da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação que estes milhos acabarão na lista de promessas falidas da tecnologia dos transgênicos: maior rendimento e menor uso de agroquímicos, disse, por sua vez, Alejandro Espinosa, das UCCS.

 

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