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19 Outubro 2011

Christine Pedotti e Anne Soupa, representantes do movimento católico leigo francês Conférence Catholique des Baptisé-e-s Francophones, foram convidadas, entre os dias 27 outubro a 2 novembro, para falar em Quebec, Montreal e Trois Rivières, no Canadá, por iniciativa da Librairie Pauline. Neste artigo, o editor Jean-François Bouchard apresenta a situação Igreja do Quebec.

A análise é de Jean-François Bouchard, publicada no sítio Baptises.fr, 14-10-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Para os visitantes estrangeiros que vêm para o Quebec pela primeira vez, é difícil imaginar como o catolicismo teve seu peso aqui por mais de um século. Hoje, os nomes dos países, as ruas e os edifícios públicos, além das inúmeras igrejas paroquiais disseminadas por todo o território, permitem adivinhar alguma coisa.

Mas são indícios, rastros, de algum modo, que têm pouca incidência sobre o cotidiano das pessoas. Se você for convidado para almoçar pelos habitantes do Quebec em um domingo, é pouco provável que peçam para que você chegue um pouco mais tarde para que tenham o tempo de cozinhar depois da missa. Há muito mais probabilidade de que, no domingo, eles vão fazer compras em um centro comercial.

Um percentual de 90% assumem a sua autonomia com relação às Igrejas, e isso em grande escala. O Quebec tem agora uma sociedade fortemente descristianizada. Muitos colocam o pé na igreja só por ocasião dos funerais de uma avó, e nem sempre... Nem mesmo os ritos funerários conseguem fazer com que eles acertem as suas contas com a religião. (...)

Como chegamos a esse ponto? Desde a metade do século XIX até o final dos anos 1950, a sociedade do Quebec era sobretudo rural, pobre e pouco escolarizada. Essa descrição parece ser surpreendente, se não incrível, para muitos de nossos contemporâneos. Mas é um fato: nos milhares de vilarejos, e até mesmo nas cidades, a mentalidade paroquial animava a população francófona, atenta à família, à propriedade da terra, à ritualidade católica e à cultura tradicional.

A torre do sino era o seu coração, do qual batia o ritmo. No campo, as crianças por muito tempo não iam à escola: a necessidade de mão-de-obra para os trabalhos agrícolas era muito urgente. E até mesmo nas cidades, onde a industrialização começou seriamente só entre as duas guerras, a mão-de-obra era necessária. Sem uma lei que previsse a educação obrigatória (a primeira lei foi aprovada em 1944, mas foi pouco respeitada), só uma minoria dos jovens tinham acesso ao ensino superior. Por exemplo, em 1959, só 15% dos estudantes chegaram a completar 11 anos de escola.

Nesse contexto, a Igreja Católica foi o cimento social e o vetor de conservação da língua, da cultura e da identidade franco-canadense. Como o Estado estava presente apenas de forma extremamente simples, as instituições-chave da vida social estavam todas sob a responsabilidade da Igreja. As congregações religiosas levaram adiante o sistema escolar, os hospitais, os orfanatos, as sociedades de ajuda mútua para os mais pobres. Até as penitenciárias para mulheres eram mantidas por religiosas.

Mas a história conheceu uma reviravolta tão rápida quanto surpreendente no início dos anos 1960. Assim como em muitos países, a Segunda Guerra Mundial teve um papel determinante na evolução da sociedade do Quebec e do Canadá. Pela primeira vez (o Canadá entrou na guerra no mesmo período que a Inglaterra), milhares de pessoas entraram em contato com mentalidades, culturas, ideias e realidades estrangeiras. E, pela primeira vez, as mulheres foram maciçamente mobilizadas para o trabalho nas fábricas, fora do âmbito familiar.

O resultado disso foi uma maior abertura às novas ideias que abriram o seu caminho nos anos 1950. O pós-guerra viu também a chegada da televisão às famílias, um vetor determinante para a entrada do Quebec na modernidade. Muitos fatores que prepararam uma "efervescência" social e política que foi chamada de "revolução silenciosa". Do que se trata? Simplesmente da criação de um Estado moderno.

Em menos de dez anos, entre 1959 e 1968, os governos que se sucederam instituíram órgãos e instituições públicas dignas do século: Ministério da Educação Pública, Ministério da Cultura, hospitais públicos, regime público de assistência à saúde etc. Em um período extremamente breve, as congregações religiosas e os bispos entregaram ao Estado instituições de todos os tipos sobre as quais eles haviam sido responsáveis por mais de um século. Tudo isso, sem confrontos, sem violência, sem ruídos, e muitas vezes com a cumplicidade entusiasta dos próprios religiosos.

No início dos anos 1970, o Quebec era um Estado moderno, com o pleno domínio das suas instituições. Os homens e as mulheres da Igreja, ainda muito numerosos, se retiraram com uma certa discrição. Eles se orientaram de forma diferente as suas obras. Não tinham mais o fardo pesado do bem-estar "dos corpos e das almas", nem o da sobrevivência da língua francesa. Agora, era o Estado que desempenhava essas tarefas; o Estado encarnava a identidade coletiva.

Em certo sentido, os habitantes do Quebec não precisavam mais da mediação do catolicismo para definir a sua identidade: o Estado nascente lhes dava a oportunidade para isso. Assim, os anos 1960 viram o início de um êxodo contínuo, silencioso e maciço dos católicos das suas igrejas. Certamente, esse não foi o único fator de explicação. No fim das contas, a onda de deserções das igrejas atingiu muitos países ocidentais no mesmo período. Mas é claro que, no Quebec, la belle province, a inutilidade operativa da Igreja na identidade coletiva desempenhou um papel determinante, que explica o seu caráter repentino, consensual, pouco vingativo.

Embora a maioria dos católicos do Quebec tenha abandonado a Igreja, um bom número ficou. São aqueles que viveram com entusiasmo as reformas conciliares. Quarenta anos depois, a decepção com as promessas não cumpridas abriu seu caminho entre muitos deles.

 

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