Bolívia. Primeira eleição para juízes é confusa

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18 Outubro 2011

"Ressentidos e alma desleal e podre". Com este hendecassílabo, o vice-presidente Alvaro García Linera chamou aqueles que nos últimos dias fizeram campanha pelo voto nulo nas eleições para magistrados do órgão Eleitoral. A soma de votos nulos e brancos se situou entre 57% e 60% nos nove departamentos da Bolívia, segundo pesquisas de boca de urna. O fracasso foi atribuído à pouca informação que a população teve sobre os 115 candidatos, dos quais se devia escolher 56. Também influenciou o desgaste político do governo de Evo Morales, que há dois meses enfrenta uma marcha indígena que chegará nesta terça-feira a esta cidade e conta com grande apoio entre a população.

A reportagem é de Sebastián Ochoa e está publicada no jornal argentino Página/12, 17-10-2011. A tradução é do Cepat.

"Agimos com base em dados oficiais, temos a responsabilidade e a seriedade do caso frente à sociedade boliviana. Não agimos com base em conjecturas. Seria perigoso se emitíssemos critérios em base a conjecturas. Esclarecemos que vamos fazer respeitar a vontade do soberano, essa é a nossa função dentro do marco legal", disse à noite Wilfredo Obando, presidente do Supremo Tribunal Eleitoral (TSE), encarregado de organizar as eleições. Disse que os resultados deste domingo poderão ser vistos dentro de alguns dias ou meses. Na semana passada, o Movimento Sem Medo (MSM), um dos partidos que convocaram para o voto nulo, mostrou fotografias de um suposto Obando, em 2009, fazendo campanha para a reeleição de Morales.

"Temos a obrigação de publicar todos os resultados, inclusive os números de votos brancos e nulos. São dados que devemos disponibilizar para toda a população, porque são dados públicos", disse Obando. Nos próximos dias se saberá se os candidatos assumirão os cargos com o punhado de votos recebidos.

"Vim votar por força do hábito. Mas não confio nestas eleições, porque não se conhece ninguém, ninguém sabe quem são", disse María Luisa Quispe Mamani na saída da Escola Domingo Faustino Sarmiento, no Bairro Gran Poder. Disse que votou nulo.

Nas suas contas de redes sociais, muitos eleitores postaram fotos de suas cédulas de votação – de quase um metro de comprimento – amplamente riscadas, com diversos motivos.

"Não digo que (os eleitores) já têm uma excelente informação. Há limitações, mas vamos avançando pouco a pouco", disse o chanceler David Choquehuanca após votar no município de Huarina, em La Paz.

Os 5.200.000 eleitores não tiveram a informação suficiente para escolher pela primeira vez – na Bolívia e no mundo – os máximos magistrados do órgão judicial. Segundo o TSE, a população havia sido devidamente notificada sobre os candidatos que ocuparão o Tribunal Constitucional Plurinacional, o Tribunal Agroambiental, o Conselho da Magistratura e o Supremo Tribunal de Justiça. Dos 115 candidatos, 40 trabalharam para o governo ou estão ligados a organizações camponesas aliadas ao MAS, segundo informação veiculada pelo jornal El Deber.

"Não votei em branco nem nulo. Marquei na cédula pessoas que não conhecia. Mas sou um homem de trabalho justo, e em política não me meto", disse Ernesto Muñoz, que tem uma loja em Sopocachi bastante desrespeitoso do "auto do bom governo", que proíbe a venda de bebidas alcoólicas e a circulação de carros sem permissão do TSE.

De acordo com uma pesquisa do Ipsos, 92% dos eleitores consultados nas cidades de La Paz, Santa Cruz e Cochabamba afirmaram que não conheciam nenhum candidato. Apesar de que o governo federal tenha destinado 100 milhões de bolivianos para a realização destas eleições.

A queda da popularidade de Morales se deve em grande medida à sua atitude em relação à marcha indígena que está a 54 quilômetros de La Paz, depois de caminhar 600 quilômetros desde Trinidad, Beni. Os originários, que reclamam respeito aos seus direitos constitucionalizados, foram reprimidos implacavelmente pela Polícia Federal em 25 de setembro passado em Yucumo, quando estavam passando por este local. No domingo, funcionários do TSE foram ao acampamento da marcha, em Chuspipata, para dar atestados de inabilitação a mais de 2.500 marchantes, que perderam seus documentos no ataque da polícia. "Nós não temos nenhuma preocupação. Quem deve estar preocupado é o órgão Eleitoral, porque o governo federal foi quem nos assaltou. A polícia agiu como criminosa, tirando documentos e queimando tudo. Agora o órgão eleitoral deve achar uma maneira de resolver o que o próprio Estado nos fez no dia 25 de setembro", disse a este jornal Fernando Vargas Mosúa, presidente da Subcentral de Comunidades do Tipnis.

"Para nós, estas eleições são ilegais e ilegítimas, porque a Constituição garante a presença de um indígena em cada tribunal, cuja eleição se devia realizar respeitando as normas próprias. Mas esta pré-seleção feita pelos deputados do MAS de modo colonialista não garante a presença de um indígena. Então, para nós é uma eleição anticonstitucional", disse o aymara Rafael Quispe Flores, mallku das Indústrias Extrativistas do Conselho Nacional de Ayllus y Markas do Qullasuyu (Conamaq).

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