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30 Setembro 2011

Partido até agora mais prejudicado com a criação do PSD, o Democratas pretende reforçar o discurso em defesa de "valores da sociedade" e de uma "economia social de mercado", para se aproximar do eleitor mais conservador. A intenção é se apresentar como um partido que tem posições claras, para tentar se diferenciar do PSD, definido em março por seu fundador, o prefeito Gilberto Kassab (São Paulo), como nem "de direita, de esquerda, nem de centro". Na última quarta-feira, Kassab disse que o PSD seria de centro.

A  reportagem é de Raquel Ulhôa e publicada pelo jornal Valor, 30-09-2011.

"Não somos um partido de amplo espectro. O DEM tem posições e quer buscar um discurso que deixe essas posições claras. Quem faz política tem que ganhar e perder votos", afirma o presidente da Fundação Liberdade e Cidadania, órgão de pesquisa e assessoramento do partido, ex-deputado José Carlos Aleluia.

A Executiva Nacional, reunida em Brasília, analisou resultados de uma extensa pesquisa interna encomendada ao instituto GPP. Um dos resultados mais comemorados foi o baixo percentual de entrevistados que disseram ser favoráveis à cota para negros nas universidades. Apenas 3,6%. A maioria (50,3%) se manifestou a favor de uma cota social, para os mais pobres, e não racial. Dos entrevistados, 36,8% se disseram contra qualquer tipo de cota.

"Com esse dado, exorcizamos nosso fantasma", disse Aleluia. Em 2009, o DEM propôs ação no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da instituição de cotas raciais na Universidade de Brasília (UNB). E, no programa eleitoral de agosto, o partido mostrou um jovem negro criticando a política de cotas. Houve grande reação do movimento negro e até parlamentares da legenda criticaram.

Das 2 mil pessoas que responderam à pesquisa, realizada em agosto, 81,4% disseram ser contra a liberação do uso da maconha, 77,2% contra o abordo e 51,2% contra a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo. Esses dados mostrariam o perfil "conservador" do eleitor, que aponta a corrupção como maior impedimento para o crescimento do país e cujo maior medo em relação ao futuro é a violência.

Segundo a pesquisa, se houvesse outra eleição, o eleitorado estaria dividido entre votar na presidente Dilma Rousseff (42,8%) ou em "outro candidato" (42,5%). Do total de pessoas que responderam à pesquisa, 45,8% consideram "ruim" a avaliação do governo Dilma no combate à corrupção.

Na economia, os resultados não favorecem as posições do DEM: 51,8% defendem maior intervenção do governo na economia e 45,2%, a volta da estatização de empresas como a Vale e as de telecomunicações. "Uma parte da sociedade não será minha eleitora: a que acha que o Estado de ser empresário e dono de banco. A sociedade é confusa em relação à economia, mas é muito clara em relação aos valores", diz Aleluia.

O DEM já perdeu para o PSD uma senadora, Kátia Abreu (TO), e 17 dos 44 deputados federais que elegeu. O presidente nacional do partido, senador José Agripino (RN), afirmou que não há intenção de questionar a criação da nova sigla, criando um contencioso com a Justiça Eleitoral. "Para nós, é assunto encerrado", disse. Na reunião, os dirigentes do DEM avaliaram que recorrer passaria para a opinião pública a imagem de derrota da legenda para o PSD.

O que a assessoria jurídica do partido está analisando é se há brecha legal para tentar recuperar na Justiça os mandatos dos parlamentares que deixarem o DEM rumo ao PSD. Pela legislação, quem se desfiliar para fundar um novo partido está protegido da perda do mandato. O DEM avalia se todos os que estão se mudando para o PSD podem ser considerados fundadores da legenda.

Outra batalha do DEM, agora, é pela manutenção de seus espaços físicos e políticos na Câmara, além do tempo destinado à sigla na televisão para propaganda gratuita e do fundo partidário. Está buscando apoio de todos os partidos, para que seja respeitada a lei eleitoral, que estabelece a bancada eleita como base para cálculos de proporcionalidade, para a distribuição de cargos e espaço. Por esse critério, o DEM manteria sua situação atual até 2014, quando será eleita a próxima bancada.

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