Os lefebvrianos não deslocam uma vírgula. E a vírgula é deslocada pelo Vaticano

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30 Setembro 2011

Roma conhece profundamente as posições dos lefebvrianos, "e é com este conhecimento preciso que o cardeal Levada apresentou ao bispo Fellay o Preâmbulo doutrinal". Como a dizer: jamais teria sido colocado algo que não tivéssemos podido compartilhar. Não deixa espaço a muitas interpretações a afirmação – contida numa entrevista ao semanário católico francês Famille chrétienne (20/9) – do porta-voz dos seguidores de mons. Lefebvre, o abade Alain Lorans, com respeito ao recente encontro realizado no Vaticano entre a cúpula da Fraternidade São Pio X e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. No termo do qual foi consignado um documento – o conteúdo é secreto – a subscrever para obter a reintegração no seio da Igreja católica: poucas páginas de "doutrinas não negociáveis" entre as quais, no entanto, poderia até não figurar sequer a adesão ao magistério do Concílio Vaticano II, rejeitado integralmente pelos tradicionalistas lefebvrianos.

O comentário é de Ludovica Eugenio e publicado por Adista, 30-09-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

O acordo com Roma, afirma Lorans, sistematizaria para sempre a situação canônica da Fraternidade, mas, a coisa mais importante é que se "daria à tradição, frequentemente desprezada ou perseguida a mais de quarenta anos, seu direito de cidadania na Igreja": processo encaminhado por Bento XVI com o Motu Proprio Summorum pontificum sobre a missa tridentina. E se, após atento exame, Fellay considerará poder dar sua adesão ao Preâmbulo, "a fraternidade será certamente favorável".

Para os lefebvrianos, ademais, é capital poder pôr em discussão o Concílio Vaticano II, e é precisamente o que, - parece poder se intuir,- é concedido no documento vaticano a subscrever: "Alguns insistem no fato de que os pontos que fazem dificuldade no Concílio poderiam ser discutidos sem que isto ponha e m discussão  o pertencimento à Igreja. Assim se reconheceria que estes textos controversos não exigem a adesão requerida aos dogmas" explica Lorans: "Outros insistem no fato de que este Preâmbulo doutrinal deva exigir o respeito em bloco ao Concílio, sua autenticidade e a legitimidade do seu ensinamento. A estes (...) a única possibilidade de uma discussão do Vaticano II deveria parecer "um pouco demais".

O que se pode constatar – e é o próprio porta-voz lefebvriano que o sublinha na entrevista – é que há muita diferença entre a nota que a Secretaria de Estado emitiu em 2009, antes da série de colóquios mantidos com os seguidores de Lefebvre ("A condição indispensável para um futuro reconhecimento da Fraternidade São Pio X é o pleno reconhecimento do Concílio Vaticano II e do próprio Magistério de João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI") e o comunicado subsequente ao encontro de 14 de setembro (que deixa "à legítima discussão o estudo e a explicação teológica de expressões particulares ou formulações presentes nos documentos do Concílio Vaticano II e do Magistério subsequente"). Já que entrementes os lefebvrianos não se deslocaram uma vírgula em sua posição sobre o Concílio, é licito reter que o tenha feito Roma. Pagando um preço caríssimo.

 

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