Religião nas mãos de amadores: assim a Internet "virtualiza" Deus

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18 Setembro 2011

As páginas religiosas mais visitadas na Internet são as de "amadores", cujas iniciativas, independentemente da ortodoxia e das próprias intenções dos organizadores, favorecem a disseminação de práticas religiosas "faça você mesmo".

A análise é do cientista social e jornalista italiano Carlo Formenti, em artigo para o jornal Corriere della Sera, 13-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O papel que a invenção da imprensa desempenhou na difusão da mensagem de Lutero e na afirmação do protestantismo é certificado por um impressionante conjunto de estudos históricos, a ponto de ter se tornado um lugar comum. Em particular, se evidenciou como a possibilidade de um acesso generalizado aos textos sagrados, traduzidos para o vernáculo, promoveu o diálogo interno e "personalizado" dos fiéis com a palavra divina, minando a hegemonia do magistério "profissional", ex-monopólio da Igreja Católica.

Algo semelhante pode acontecer com o advento da Internet?

Alguns sociólogos já indagaram sobre as "religiões na rede", mas parece que o Facebook está imprinindo uma aceleração ao fenômeno. Segundo a empresa que gerencia a rede, 43 milhões de usuários seriam fãs de páginas religiosas, algumas das quais, como a inglesa Bible Facebook e a hispânica Dios es Bueno estão entre as 20 primeiras em termos de tráfego (comentários, "Eu curto", etc.).

E o que chama ainda mais atenção é o sucesso de Jesus Daily: 8 milhões de fãs e um dilúvio de contatos que recompensam a obra de um nutricionista norte-americano, um tal Dr. Tabor, filho de um pastor, que diz ter construído a página por hobby, aplicando as mesmas técnicas de marketing que lhe garantiram um bom sucesso profissional.

Nada comparável à revolução protestante, se poderá dizer. No entanto, faz refletir o fato de que o Papa Bento, embora decisivamente favorável ao uso das novas mídias como instrumento de proselitismo, alerte ao mesmo tempo sobre os riscos de uma excessiva "virtualização" das relações entre fiéis e a instituição religiosa.

O fato é que – consideração que não vale apenas para a confissão cristã: a islâmica e a judaica têm problemas semelhantes – as páginas mais visitadas são justamente as de "amadores" como Tabor, cujas iniciativas, independentemente da ortodoxia e das próprias intenções dos organizadores, favorecem a disseminação de práticas religiosas "faça você mesmo".

Talvez, não nascerá da Internet uma nova revolução protestante, mas não está excluído que possam nascer milhares de seitas e de "tribos" fora de qualquer controle institucional.

 

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