País banirá bisfenol A de mamadeiras

Revista ihu on-line

Caetano Veloso. Arte, política e poética da diversidade

Edição: 549

Leia mais

Mulheres na pandemia. A complexa teia de desigualdades e o desafio de sobreviver ao caos

Edição: 548

Leia mais

Clarice Lispector. Uma literatura encravada na mística

Edição: 547

Leia mais

Mais Lidos

  • Müller também se recusa, na 'TV do diabo', a participar do Sínodo

    LER MAIS
  • Desmatamento na Amazônia já chega a quase 9 mil km² em 2021, mostra Imazon

    LER MAIS
  • Aquele que veio para desconstruir e devastar - Frases dia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


16 Setembro 2011

A partir de 1.º de janeiro de 2012, as mamadeiras vendidas no Brasil não poderão ter a substância bisfenol A (BPA), suspeita de causar problemas como câncer, diabete e infertilidade. Com a medida, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer proteger bebês de 0 a 12 meses, considerados mais sensíveis.

A reportagem é de Karina Toledo e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 16-09-2011.

A resolução, que deve ser publicada hoje no Diário Oficial da União, deixa de fora outros utensílio de plástico usados por crianças pequenas, como copos, pratos e colheres. E não foram incluídas latas de leite em pó, cujo revestimento interno tem BPA.

"Nenhum país adotou a proibição para latas, pois ainda não há um substituto para o verniz usado em seu revestimento", explica Denise Resende, gerente-geral de alimentos da Anvisa. No caso das mamadeiras, há opções de produtos sem BPA. "Além disso, as mamadeiras podem ser usadas para aquecer o leite, o que aumenta a liberação do BPA para o alimento", diz. Segundo ela, a retirada da substância em outros produtos está em discussão com os países do Mercosul.

O BPA está em produtos feito de policarbonato, um plástico rígido e transparente, e simula no organismo a ação do hormônio estrogênio, podendo causar desequilíbrio no sistema endócrino. Estudos em animais mostram inúmeros efeitos prejudiciais, mas os resultados em humano são inconclusivos.

Não se sabe até que ponto a substância migra do plástico para o alimento e se, nas quantidades permitidas por lei, ela é prejudicial. Especialistas concordam que a gestação e os primeiros dois anos são os períodos de maior vulnerabilidade, pois os bebês estão em rápido desenvolvimento, têm pouca massa e mais dificuldade para metabolizar tóxicos. "Claro que o ideal era tomar medidas para proteger todas as faixas etárias, mas considero esse passo inicial importante", diz Tania Bachega, coordenadora de uma campanha contra o BPA promovida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Em abril, a Justiça determinou à Anvisa que criasse norma para obrigar os fabricantes a informar no rótulo dos produtos a presença de BPA. Mas a agência reverteu a decisão em liminar. O processo está em andamento.

"Essa orientação no rótulo não acrescenta nada ao consumidor e não minimiza o risco", afirma Denise. Diante das evidências de risco, a agência optou por adotar a medida restritiva. O BPA também foi proibido em alguns países da União Europeia, Canadá, China, Malásia, Costa Rica e 11 Estados americanos.

Mobilização

Há dois anos, Fabiana Dupont e Fernanda Medeiros criaram o site otaodoconsumo.com.br, para tratar das substâncias químicas presentes nas embalagens de alimentos que poderiam fazer mal à saúde. Na casa de Fernanda há uma espécie de retorno ao passado. "Minha geladeira lembra a da minha avó de 97 anos", brinca. Isso porque objetos de plástico são substituídos por recipientes de vidro, cerâmica ou inox.

Estudos mostram outros danos que substância causa

Em artigo publicado no mês passado na revista Environmental Health Perspectives, pesquisadores italianos comprovaram, pela primeira vez, que também em humanos o bisfenol A (BPA) tem ação idêntica a do hormônio estrogênio. Até então, isso havia sido demonstrado apenas em animais. Participaram do estudo 96 homens adultos. Quanto mais alta era a dosagem de BPA no corpo dos voluntários, mais altos eram os níveis de receptores do hormônio estrogênio.

Outra pesquisa recente publicada na revista Carcinogenesis mostra que o BPA e o metilparabeno - um preservativo presente em vários cosméticos - podem interferir na efetividade de drogas usadas contra o câncer de mama, como o tamoxifeno.

Pesquisadores recolheram células não cancerígenas da mama de pacientes de alto risco para observar seu comportamento. Uma vez expostas ao BPA e ao metilparabeno, as células começaram a se comportar como se fossem cancerígenas. Mesmo quando o tamoxifeno foi introduzido, as células não morreram.

COMO REDUZIR A EXPOSIÇÃO

Saiba comprar

Geralmente o bisfenol A está presente em plásticos rígidos e transparentes. Alguns produtos têm um número na parte debaixo que indica sua composição.

Aqueles com os números 3 e 7 podem conter a substância.

Enlatados

Não consuma enlatados quando a embalagem estiver amassada ou a data de validade, vencida.

Plástico

Não aqueça ou congele alimentos em embalagens plásticas. Evite armazenar comida em plástico, mesmo em temperatura ambiente, e usar potes arranhados.

Utensílios

Substitua aqueles que entram em contato com alimentos pelos de vidro, metal ou madeira.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

País banirá bisfenol A de mamadeiras - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV