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25 Agosto 2011

Após participar do XVI Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes, que aconteceu em Montevidéu, Paul Floor Pilquil, secretário de Relações Internacionais da Confederação de Estudantes do Chile (Confech), destaca o perfil regional dos protestos. "Nos enquadramos na luta que o movimento estudantil vem fazendo desde a Reforma de 1918, também na luta que os estudantes estão travando em Porto Rico ou na Colômbia", adverte em conversa com Página/12. Os estudantes chilenos em Buenos Aires sairão em marcha hoje [ontem], junto com a Federação Universitária de Buenos Aires.

A entrevista é de Adrián Pérez e está publicada no jornal argentino Página/12, 25-08-2011. A tradução é do Cepat

Eis a entrevista.

Em 2006, os "pinguins" emergiram como um ator político que reivindicava mudanças estruturais. Muitos desses jovens voltam a se manifestar hoje pela reforma do sistema educacional.

Esse foi o primeiro indício de uma renovação geracional e de um olhar mais crítico e livre em relação a como vinha sendo tratada a educação. A relação entre os "pinguins" e o atual movimento de estudantes é clara. São os mesmos jovens que naquelas mobilizações fizeram um tremendo esforço e todo o Chile se convenceu de que a educação tinha que mudar.

O que aprenderam com aquela experiência?

Hoje fazemos uma demanda mais estrutural. Não vamos repetir as concessões de 2006 para que amanhã saia uma lei feita pela direita ou pelos setores mais conservadores.

A que concessões se refere?

À questão da estatização dos secundaristas ou ao fim do lucro na educação, questões que foram levadas a uma mesa de diálogo de onde saíram propostas que deveriam ser respeitadas. A Lei Geral da Educação só aumentou as subvenções para os colégios municipais, não levou em conta a desmunicipalização nem a estatização dos colégios.

Esse cenário de propostas não cumpridas pela Consertación se renova com a oferta do presidente Sebastián Piñera?

As bolsas que o governo oferece são dirigidas a universidades privadas que não garantem qualidade, não fazem pesquisa e que nasceram para dar lucro. São universidades com altas taxas de deserção e índice pequeno de inserção laboral. Primeiro, planejemos a educação para determinar como e a quem será entregue esse recurso.

Nessa reivindicação subjaz uma forte não aceitação de um modelo político elitista e concentrador.

A Confech se declara contra a educação de mercado e o projeto econômico neoliberal. Cada ano vemos como os direitos do povo são esmagados pelos interesses empresariais. Esta crise na educação e que há meses se deu no setor energético, amanhã poderá afetar o mundo dos trabalhadores.

Essa perspectiva se torna evidente na adesão estudantil à greve convocada pela Central Unitária de Trabalhadores.

Historicamente, compartilhamos a luta. Marchamos convencidos de que o movimento popular no Chile vai se levantar na base da organização desses setores. As transformações políticas e econômicas que queremos realizar vão nesse sentido.

Precisamente, trabalhadores e estudantes concordam na necessidade de renacionalizar a exploração do cobre.

O lucro que o setor privado tem com a extração do cobre daria para pagar a educação, a saúde e a habitação. A renacionalização do cobre poderia converter o Chile em um país com possibilidades de fazer grandes investimentos em ciência e tecnologia. Por isso, deve-se propor uma nova reforma tributária para as empresas que exploram o cobre.

Piñera assinalou que nada é de graça nesta vida e que alguém tem que pagar. Como analisam essa expressão?

O presidente Piñera representa um setor da sociedade que considera que o trabalho individual deve ter a primazia sobre o coletivo. A única maneira de garantir a educação como um direito humano fundamental é proporcionar que seja gratuita.

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