A renúncia de Jânio, um enigma decifrável

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24 Agosto 2011

"Hoje é o quinquagésimo aniversário da renúncia do meu avô à Presidência; em vida, sempre fez mistério sobre os seus reais motivos", escreve Jânio Quadros Neto, economista e mestre em economia, neto de Jânio Quadros (1917-1992), que renunciou à Presidência em 25 de agosto de 1961, e coautor do livro "Jânio Quadros: Memorial à História do Brasil", em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 25-08-2011.

"A coisa mais difícil de se fazer quando você está no poder é manter a noção da realidade. Ser presidente é a suprema ironia, por ser um todo-poderoso e um escravo ao mesmo tempo", teria dito Jânio Quadros, segundo relata o neto.

Eis o artigo.


Há quem argumente que o mês de agosto é maldito na história política do Brasil: foi o mês que presenciou dois dos eventos mais traumáticos da história brasileira, o suicídio do presidente Getulio Vargas, no dia 24 de agosto de 1954, e a renúncia do presidente Jânio Quadros, no dia 25 de agosto de 1961.

Agosto de 2011 indiscutivelmente tem sido turbulento e difícil para a atual titular do Palácio do Planalto.
Hoje é o quinquagésimo aniversário da renúncia do meu avô ao cargo de presidente do Brasil. Em vida, sempre fez mistério sobre os reais motivos da renúncia que tanto chocou e marcou a nação.

Jânio tinha por natureza uma personalidade misteriosa, histriônica, surpreendente. Usou o episódio da renúncia entre aquele dia fatídico e sua morte para gerar mistério, especulação e polêmica. Quando questionado sobre as razões da renúncia, reagia com ironia ou agressividade intelectual.

Lembro-me de um almoço no Guarujá, no início da década de 80, em que, ao ser questionado sobre o que o levara a renunciar, meu avô respondeu: "Porque a comida no Palácio da Alvorada era uma porcaria, como é na sua casa". Depois disso, fiquei com receio, e só conversei com Jânio sobre isso no trigésimo aniversário da renúncia, no dia 25 de agosto de 1991.

Nesse dia, ele estava internado no Hospital Albert Einstein, já no final de sua vida (morreria menos de seis meses depois, no dia 16 de fevereiro de 1992). Mesmo muito enfermo, estava lúcido. No apartamento, a TV estava ligada, e o jornalista Carlos Chagas comentava a renúncia, analisando várias teorias.

Ao ouvi-lo, Jânio ficou bastante irritado e até xingou em reação ao que ouviu. Naquele momento, criei coragem e perguntei: "Então por que você renunciou?".

Jânio respondeu: "Aqueles que os deuses querem destruir, eles primeiro os fazem presidentes do Brasil. Quando assumi a Presidência, não sabia a verdadeira situação político-financeira do país. A renúncia era para ter sido uma articulação, nunca imaginei que ela seria de fato executada. Imaginei que voltaria ou permaneceria fortalecido. Foi o maior fracasso da história republicana do Brasil, o maior erro que cometi. Esperava um levantamento popular e que os militares e a elite não permitissem a posse do Jango, que era politicamente inaceitável para os setores mais influentes da nação na época".

Lembro-me de outra afirmação marcante: "A coisa mais difícil de se fazer quando você está no poder é manter a noção da realidade. Ser presidente é a suprema ironia, por ser um todo-poderoso e um escravo ao mesmo tempo".

Embora vá ser sempre lembrado pela renúncia e pelas consequências disso, a história não pode ignorar ou esquecer seus atributos.

Jânio foi um professor e advogado da classe média que passou a vereador, deputado estadual, prefeito de São Paulo, governador de São Paulo, deputado federal, chegando à Presidência em apenas 12 anos.

Vale lembrar que, 24 anos depois da renúncia, Jânio elegeu-se prefeito de São Paulo pela segunda vez, derrotando um futuro presidente.

Sou suspeito, mas as administrações de Jânio foram marcadas por resultados positivos muito claros.

Dizem que a história se repete. O mês de agosto tem sido difícil para a atual presidenta, e a classe política tem sido terrível com ela. Conheço Dilma e atrevo-me a afirmar que ela é uma criatura rara na selva que é Brasília.

Desejo o sucesso da presidenta e do Brasil. Creio que isso é um dever de todo cidadão.

Churchill disse uma vez que a política é bem mais perigosa do que a guerra. Isso porque na guerra você só pode morrer uma vez. Creio que o genial estadista tinha razão.

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