"A Campanha da Legalidade foi um período de exceção e não de normalidade", diz Jorge Ferreira

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19 Agosto 2011

Olhos atentos e auditório lotado. Esse foi o cenário da palestra do prof. Dr. Jorge Ferreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), na noite de quinta, 18 de agosto, no auditório Maurício Berni, da Unisinos, durante a conferência de abertura do Seminário 50 anos da Campanha da Legalidade: memória da democracia brasileira. A palestra teve como tema o "Contexto e Significados da Legalidade", abordando o assunto, personagens, mitos e o impacto da Campanha no Brasil, no período da década de 1960. ""Memória da Democracia Brasileira’. Um subtítulo com uma escolha muito feliz por parte dos organizadores do evento", elogiou, durante a conferência de abertura, o historiador Jorge Ferreira.



"A Campanha da Legalidade foi um período de exceção e não de normalidade, só tendo sido possível porque a sociedade civil se organizou em favor da democracia e da legalidade", afirmou o professor, durante a exposição.

Um dos temas abordados pelo pesquisador foi o de que é um mito a afirmação de que o episódio ocorreu apenas no Rio Grande do Sul. "O "start’ foi aqui, mas mobilizou todo o Brasil. A UNE (União Nacional dos Estudantes) apoiou o evento, bem como associações comerciais, a OAB e a própria CNBB, entre outras", destaca, ao lembrar que o estado do Rio Grande do Sul apoiou de forma bastante resistente a Campanha da Legalidade. "Católicos e umbandistas também se uniram no Rio Grande do Sul e lançaram nota em defesa da legalidade", afirmou.

O docente não deixou de destacar que havia forte sentimento da legalidade na sociedade brasileira naquele momento. "A Campanha da Legalidade deixou uma lição: não basta ter generais para que haja golpe. Deve haver apoio da sociedade para que o mesmo ocorra. Os golpistas fracassaram porque a sociedade civil se manifestou contra. E o de 1961 foi exemplo disso. A direita aprendeu com o golpe de 1961."

O autor do livro "Jango, uma biografia" abordou o assunto da Campanha da legalidade, frisando que é um tema pouco estudado no Brasil. E explica o porquê: "Os historiadores brasileiros não têm interesse em pesquisar a década de 1940, o que faz com que  eles não se interessem em estudar a respeito da Campanha da Legalidade. Então, esse período acaba sendo analisado pelos nossos colegas das Ciências Políticas, da Sociologia e do Jornalismo".

Ferreira abordou ainda a figura de três personagens fundamentais do período da Campanha da Legalidade, em 1961: O general-comandante do III Exército, Machado Lopes; o pivô do início do movimento de resistência no Rio Grande do Sul, Leonel Brizola e João Goulart. "Machado Lopes teve que enfrentar uma sociedade civil organizada, armada. E não só isso. Teve que lidar com uma sociedade determinada. Para conter a situação de revolta da época, ele teria que fazer uma chacina. Só assim colocaria "ordem’. Teria que matar milhares. Eles sabiam disso. Então, Machado Lopes agiu com o bom senso. Foi cúmplice da legalidade, em vez de aceitar ordens absurdas e ter que realizar uma carnificina."

O autor destacou ainda a figura de Leonel Brizola, na época governador do Rio Grande do Sul. "Brizola fez um governo baseado nas diretrizes getulistas; escolarizou o estado todo e a esquerda começou a olhar para ele. Na verdade, ele foi a única liderança civil que enfrentou os golpistas e venceu. Nesse aspecto, ele teve papel bastante positivo, em defesa da democracia e da legalidade", disse.



Citando João Goulart, o Jango, Jorge Ferreira apontou que este foi o formulador das reformas de base, que passaram a ser programas de esquerda. "A importância de Jango não foi pouca. E conciliação é uma palavra atrelada à figura de Goulart. Na verdade, "Política de Conciliação’ foi criada, em 1964, pela esquerda para criticar a maneira de governar de Jango. Essa acabou sendo a maneira como o seguimento político definia o governo de Goulart, mas não como os historiadores devem definir", explicou o historiador, ao acrescentar que Goulart preferia chegar ao entendimento, com acordos, pactos, enquanto Brizola preferia o enfrentamento.

Acadêmicos – O aluno do 4º período do curso de Ciências Sociais da Unisinos, Diego Coelho de Souza, esteve presente durante a palestra e o lançamento do livro "Jango, uma biografia", e afirmou que o evento possui uma importância enriquecedora para seus estudos. "O seminário tem a possibilidade de fazer com que eu adquira conhecimentos além do senso comum na literatura sobre o tema. Às vezes, o assunto é tratado de maneira muito dogmática. E, pelo que já percebi no encontro, o Jorge Ferreira se aprofunda mais em suas abordagens", disse.

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