Peruanos são acusados de invadir aldeia no Acre

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07 Agosto 2011

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) que atua na fronteira do Acre com o Peru distribuiu um alerta informando que está cercada por grupos peruanos armados que invadiram a base da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, em Igarapé Xinane, no Acre, em julho.

A reportagem é de Maria Emília Coelho e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 08-08-2011.

Segundo Carlos Travassos, coordenador-geral de Índios Isolados e Recente Contato da Funai, no sábado foi encontrado um acampamento no outro lado do igarapé, onde havia um colchão, sacos de açúcar, uma mochila com cascas de cartuchos roubados da base e um pedaço de flecha.

A Diretoria de Proteção da Funai, informada, encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça para chamar a atenção. Ontem, um helicóptero do governo do Acre chegou à base com uma equipe de seis policiais para dar segurança para a equipe da Frente de Proteção.

Na última quinta-feira, uma equipe da Polícia Federal retirou todos da base, mas o grupo de quatro ou cinco funcionários da Funai retornou ao local. A fronteira entre Brasil e Peru abriga a maior população de indígenas em isolamento na Amazônia.

A possível invasão já tinha sido mencionada em um alerta feito no dia 11 de julho por indígenas Ashaninka, que moram na aldeia Simpatia, a três horas de barco da base Envira. Uma semana depois, comandos do Estado do Acre e do Exército executaram várias operações na região.

Segundo o coordenador Travassos, a flecha descoberta no novo acampamento pertence aos índios isolados que vivem nas cabeceiras do Rio Humaitá e que só foram conhecidos em 2008 quando fotografados pela Funai. Uma flecha, afirma ele, é a carteira de identidade dos índios. Ele se diz preocupado, pois a situação pode ter graves consequências para o trabalho de proteção de índios isolados. "São pelo menos três grupos de cinco, seis pessoas. Ao redor da base, há caminhos grandes com pisadas recentes", alerta.

Reação

Assim que os indígenas Ashaninka divulgaram a presença dos estranhos, iniciou-se uma operação do Comando de Operações Táticas (COT) e da Coordenadoria de Aviação Operacional (CAOP) na área, com o apoio logístico do Estado e do Exército. No dia 3 de agosto foi preso um narcotraficante português, Joaquim Antônio Custódio Fadista, que já havia sido capturado e extraditado para o Peru. Ele conseguiu retornar à Base do Xinane atrás da uma mochila, supostamente com drogas.

De acordo com Travassos, o trabalho dos mateiros auxiliou a polícia. "O Ministério do Planejamento pediu o fim da contratação dos serviços terceirizados das frentes, mas, sem pessoas especializadas como eles, a segurança dos índios isolados estará comprometida." O sertanista José Carlos Meirelles, também do grupo, fez um alerta: "Já que ninguém deste Estado brasileiro se dispõe a ficar aqui, a gente fica até que alguém ache que uma invasão do território brasileiro por um grupo paramilitar peruano é algo que mereça atenção." E completou: "Somos irresponsáveis, talvez. Mas antes de tudo existe um compromisso maior com os índios isolados e os contatados, nossos vizinhos, Ashaninka."

Vistos como obstáculos da exploração pelos seringalistas e caucheiros, esses povos começaram a ser dizimados por meio das chamadas correrias. Os índios que sobreviveram fugiram para as zonas mais inacessíveis da mata. Hoje, esses índios não mantêm contato permanente com a sociedade nacional.

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