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04 Agosto 2011

Aos 65 anos, Nelson Jobim é um misto de político e jurista que ocupou sempre cargos de primeira linha nos três Poderes da República. No Legislativo, foi líder do PMDB na Constituinte (1987/88), embora deputado de primeiro mandato; no Judiciário, foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); no Executivo, foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso e da Defesa nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. Em todos, envolveu-se em polêmicas.

A reportagem é de João Domingos e Rui Nogueira e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 05-08-2011.

Mesmo com sua carreira bem-sucedida, Jobim quer mais. Busca reposicionar-se politicamente, de forma a aparecer como o nome do PMDB numa disputa pela Presidência da República em 2014, caso o partido se desgrude do PT. Nos últimos meses, tornou-se uma espécie de consultor e conselheiro de um grupo de senadores não-alinhados com a direção peemedebista, entre eles Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). É nesse núcleo que considera viável construir o caminho que o leve à Presidência.

Se, por um lado, Jobim construiu sua biografia em cima de atos voluntariosos e posições de destaque, por outro sofre com uma espécie de incontinência verbal em que revela segredos pessoais e o leva a fazer seguidas críticas a seus pares ou a deixar no ar palavras de efeito ambíguo. Na festa de aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, disse que era preciso entender que os tempos mudaram. E, evocando o dramaturgo Nelson Rodrigues, afirmou: "O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia".

Da fala, ficou a suspeita de que estava chamando aqueles com os quais convive de idiotas. Ao se explicar, disse que falava dos jornalistas.

"E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento."

Uma inconfidência de Jobim durante o aniversário de 15 anos da Constituição, em 2003, gera polêmicas jurídicas até hoje. Ele contou que, no papel de líder do PMDB e uma espécie de consultor jurídico da Assembleia Constituinte, incluiu no texto da Constituição uma parte não votada pelos constituintes, justamente no capítulo que trata da independência entre os poderes. Disse que havia um outro remendo não aprovado, mas que só o revelaria em livro, o que nunca fez. Jobim justificou-se dizendo que foi necessário para não tornar contraditórios os capítulos da Constituição. Afirmou ainda que foram adaptações em cima de partes votadas anteriormente.

No final do governo de Lula, Jobim comandou um motim contra o Plano Nacional dos Direitos Humanos, lançado pelo ex-ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos). O plano propunha a revogação da Lei da Anistia e permitia julgar os torturadores que atuaram durante o regime militar. Jobim ameaçou renunciar se o governo não recuasse. Lula mudou o plano. Os adversários de Jobim o criticam por insistir que a tortura durante a ditadura não é crime comum e hediondo e por não ter se empenhado em descobrir as ossadas de integrantes da Guerrilha do Araguaia.

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