Uma Igreja cada vez mais "ad intra" e suas duas formas litúrgicas

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16 Julho 2011

"Para a comunhão eclesial são necessárias palavras claras: com as murmurações e com as hipocrisias mina-se o próprio sentido da Igreja. Por uma Igreja sincera escrevi este texto." Com essas palavras, o teólogo italiano Andrea Grillo dá início às suas reflexões na edição mais recente dos Cadernos Teologia Pública, nº 56, publicados pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

Intitulado Igreja Introvertida: Dossiê sobre o Motu Proprio "Summorum Pontificum", Grillo analisa detidamente a recente Instrução Universae Ecclesiae da Comissão Ecclesia Dei, destinada a dar uma "correta interpretação e a reta aplicação" do motu proprio, que autorizava o "uso da Liturgia Romana em vigor no ano de 1962", ou seja, a missa pré-conciliar.

Segundo Grillo, doutor em teologia pelo Instituto de Liturgia Pastoral de Pádua, compete ao teólogo "examinar criticamente cada expressão da fé eclesial: respeito crítico e crítica respeitosa fazem parte de seu instrumentário obrigatório". Por isso, a coletânea de artigos "quer contribuir para este fim, para que amadureça a consciência eclesial em torno ao delicado problema da `unidade do rito romano` que o Motu Proprio e a recente Instrução submetem a um estresse muito grave e muito perigoso".

O Caderno está dividido em seis grandes blocos:

  1. Paulo VI, Pio V e a realidade virtual
  2. A espessura teológica da lex orandi. Em diálogo com Angelo Scola
  3. Mas o Indulto está realmente superado?
  4. Um primeiro balanço do Motu Proprio: quatro paradoxos e uma intenção esquecida
  5. Quais são as razões de uma "reforma da reforma"? Cinco perguntas de um teólogo a um Mestre
  6. Por uma Ecclesia verdadeiramente Universa e por Pontifices verdadeiramente Summi

A partir da afirmação da Universae Ecclesia de que existem "duas formas da Liturgia Romana, definidas respectivamente ordinária e extraordinária", ou "dois usos do único Rito Romano, que se põem um ao lado do outro", o professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo afirma que se confeccionou, assim, "uma teoria da relação entre rito romano e diversos usos, a qual parece ser, ao mesmo tempo, teoricamente bastante arriscada e praticamente muito perigosa".

Segundo o autor, também professor do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua, "o risco teórico consiste em separar o rito romano de seu concreto devir, hipostaziando fases diversas da história e tornando-as todas indiferentemente contemporâneas". No plano prático, essa solução "supera, de fato, toda `certeza do rito`, introduzindo um fator de grande conflitividade no interior das diversas comunidades eclesiais particulares".

No fundo, afirma o autor, no plano do conteúdo mantém-se "o primado do rito ordinário (de Paulo VI) em relação ao rito extraordinário (de Pio V)". Mas o motu proprio "está escrito nas categorias de Pio V e não naquelas de Paulo VI: utiliza-se, de fato, uma distinção entre `missa sem povo` e `missa com o povo`, o que nenhum documento usa mais desde 1969".

Por isso, é a práxis eclesial que deverá "encontrar as razões da Reforma na `participação ativa`, mantendo-se, assim, longe de toda forma ritual que prevê a presença dos cristãos somente como `mudos espectadores`". Para Grillo, essa é uma possibilidade para todos os cristãos, mas especialmente para os teólogos. "Eles estão `obrigados` a dizer a verdade, sem todas aquelas mediações que vinculam outros ministérios a lógicas necessariamente mais complexas".

Por outro lado, segundo Grillo, os oficiais da Cúria Romana que propuseram as modificações são constrangidos muitas vezes a uma "vida de escritório", que os impede de ter relação com comunidades eclesiais "reais". Assim, explica, "para exercer uma prestigiosa função de poder e de serviço, acabam por celebrar quase sempre a eucaristia `sem povo`".

Nesse sentido, adverte, "somente homens com tal formação (deformada) podem conceber, atender e firmar documentos que começam a fala da eucaristia a partir da `missa sem povo`". Embora essa categoria possa servir para padres e bispos "antropologicamente marcados pela vida curial", para todo o resto da Igreja, os 99,90%, é uma categorização "irrelevante ou preocupante, ou mesmo perturbadora", resume.

A edição impressa do Cadernos Teologia Pública nº 56 já está disponível no IHU e na Livraria Cultural. Sua versão online estará disponível no sítio do IHU, a partir do dia 11 de agosto, no formato PDF.  Mais informações, escreva para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

(Por Moisés Sbardelotto)

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