A Irlanda, o terceiro relatório sobre os abusos e os ocultamentos na diocese de Cloyne

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14 Julho 2011

A Igreja irlandesa continua no centro do escândalo pedofilia. A publicação de um novo relatório, o terceiro depois dos de 2009, refere numerosos casos de ocultamento dos abusos sexuais contra menores na diocese de Cloyne, no condado de Cork (sul do país), entre 1996 e 2009.

A reportagem é de Luca Rolandi e está publicada no Vatican Insider, 13-07-2011. A tradução é do Cepat.

O relatório Cloyne, que foi divulgado pelo ministro da Justiça Alan Shatter e pelo ministro da Infância, Frances Fitzgerald, suscitou muitas polêmicas na mídia irlandesa e britânica. O documento defende que a resposta da diocese às acusações de abusos sexuais entre 1996 e 2008 foi "inadequada e inapropriada". Define como um "fato notável" que o bispo Magee tenha tido "pouco ou nenhum interesse" em abordar os casos de sacerdotes pederastas até 2008 e que, até certo ponto, "tenha se afastado da gestão cotidiana dos casos de abusos sexuais contra menores". "O bispo Magee era o chefe da diocese e não podia evitar suas responsabilidades, culpando os subordinados que ele mesmo não havia nem dirigido nem acompanhado", explica o dossiê. Dom Magee, que pediu renúncia em 2009 (Bento XVI aceitou sua renúncia em março de 2010) e que havia sido um estreito colaborador dos Papas Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II, é uma das personalidades mais reconhecidas da Igreja irlandesa.

O relatório, de mais de 400 páginas e elaborado pela comissão de pesquisas sobre a diocese de Cloyne, evidencia como foram tratadas as acusações contra 19 sacerdotes e a falta de denúncias à polícia. Defende-se que o bispo Magee, que hoje está com 75 anos, não pode evitar suas "responsabilidades, culpando os seus subordinados" que não denunciaram as indicações dos abusos (que no total seriam, pelo menos, 40) às autoridades públicas. Em nenhum caso os sacerdotes acusados foram removidos. Em particular, algumas passagens do relatório destacam que sobretudo na metade da década de 1990, as negligências e as omissões foram constantes, por parte do vértice dos religiosos irlandeses e do Vaticano. São expressas também as "preocupações" que a relação entre dom Magee e um seminarista de 17 anos causou: o bispo o teria abraçado com entusiasmo e o jovem o denunciou pelo gesto. Entre os pontos controvertidos está a defesa de Magee, realizada pelo cardeal Sean Brady, que disse que o bispo de Cloyne não deveria ter renunciado, mas que era capaz de enfrentar o surgimento dos abusos. Mas quando pronunciou a defesa de Magee, o cardeal já sabia da história da denúncia do jovem.

Outro ponto controvertido tem a ver com as indicações recebidas pelos bispos irlandeses do Núncio Apostólico em 1997, quando o Vaticano enviou instruções prudentes sobre a denúncia pública dos sacerdotes pederastas.

O relatório da comissão de pesquisas sobre a proteção dos menores tem resultados negativos para a Igreja. A Igreja irlandesa, que foi o destino de uma visita apostólica ordenada por Bento XVI, após a publicação do relatório expressou sua dor e arrependimento. O primaz da Irlanda, o cardeal Sean Brady, disse que hoje é "outro dia obscuro na história da resposta da Igreja aos gritos das crianças forçadas por homens do clero". "Os resultados deste relatório confirmam os graves erros que foram cometidos durante o julgamento e que houve falta de liderança – acrescentou. Isto é deplorável e inaceitável". O primaz da Irlanda afirmou, além disso, que a Igreja coloca à disposição um serviço profissional de apoio e que recentemente criou um serviço chamado Towards Healing (Rumo à cura) para dar assistência às vítimas. Também o arcebispo Dermont Clifford pediu perdão às vítimas e seus familiares, aos fiéis das dioceses de Cloyne e à Igreja em geral.

Na Irlanda, os bispos verificaram que, durante os 60 anos que vão de 1945 até 2004, os sacerdotes envolvidos em abusos sexuais de menores foram 105, quase 4% do total dos sacerdotes, e que as vítimas foram aproximadamente 400. Dos sacerdotes que ainda estão vivos, oito foram condenados após um processo penal; outros 23 estão sob processo atualmente. Para alguns outros, ao contrário, não houve nenhuma condenação judicial devido à impossibilidade de provar ações muito remotas.

O primeiro relatório sobre a pedofilia na Irlanda foi publicado em maio de 2009. Um texto de mais de 2.500 páginas nas quais se desvela um passado trágico de "violações, moléstias e abusos endêmicos". Após nove anos de investigações da comissão presidida pelo juiz da Suprema Corte, Sean Ryan, os resultados revelam que as "industrial schools" irlandesas (um complexo de 2.560 institutos para 35.000 crianças abandonadas, órfãos ou com graves dificuldades, organizados desde os anos 1950 até seu fechamento definitivo nos anos 1990) eram lugares de crueldade "que tinham o objetivo de provocar dor e humilhação". O segundo relatório do governo, chamado de "Murphy", de novembro de 2009, foi o resultado das investigações sobre a diocese de Dublin.

Um elemento positivo apontado no relatório da juíza Yvonne Murphy foi que se comprovou que as estruturas de revisão instituídas pela Igreja funcionam bem. Na Igreja, o ambiente atual para as crianças é muito diferente em relação ao passado, segundo uma nota publicada no dia 11 de maio pela National Board for Safeguarding Children in the Catholic Church (comissão independente que estabelece padrões e oferece assistência, e que tem quatro objetivos fundamentais: desenvolver políticas, oferecer assistência, monitorar e examinar).

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