A China oferece recompensa a operários delatores

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22 Junho 2011

A polícia ofereceu dinheiro e permissões de residência àqueles imigrantes que proporcionarem informações ou denunciarem os causadores dos violentos protestos ocorridos no começo do mês na cidade de Zengcheng, um núcleo da indústria da confecção na província de Guangdong (Cantão). As revoltas ocorreram em consequência do ataque sofrido pela vendedora ambulante grávida por parte de alguns guardas de segurança.

A reportagem é de José Reinoso e está publicada no jornal espanhol El País, 22-06-2011. A tradução é do Cepat.

As autoridades darão uma recompensa de 5.000 a 10.000 iuans (entre 540 a 1.080 euros) àquelas pessoas que derem pistas que levem à prisão daqueles que participaram dos distúrbios, que tiveram início em 10 de junho e duraram três dias, segundo assinala um anúncio colocado no domingo passado na primeira página do Jornal de Zengcheng. Além de dinheiro, oferecem aos delatores os títulos de "cidadão honrado e bom" e "trabalhador emigrante excepcional", e, o que é mais valioso, permissões de residência.

Na China existem mais de 150 milhões de pessoas que emigraram para outras províncias, e a imensa maioria não tem permissão de residência – o chamado hukou – em seu novo lugar de emprego. Isto os converte em cidadãos de segunda classe, já que a falta do papel lhes nega o direito a serviços básicos, como saúde ou educação primária para os filhos.

"Os departamentos de segurança pública pedem às pessoas que não se deixem incitar por instigadores, mas que lutem vivamente contra os criminosos e revelem as identidades destes infratores da lei", afirma o anúncio.

Milhares de trabalhadores emigrantes se voltaram contra as autoridades locais e saquearam prédios públicos, queimaram veículos policiais, jogaram tijolos e garrafas, quebraram caixas automáticos e enfrentaram as forças da ordem, após se propagar que uma jovem de 20 anos, grávida, havia sido jogada ao chão quando agentes tentavam desalojá-la em uma operação contra a venda na rua, e correra o rumor de que seu marido havia sido morto no enfrentamento.

As autoridades asseguram que prenderam até agora 44 pessoas, mas a publicação do aviso de recompensa indica que segue buscando mais envolvidos, os quais não conseguiu localizar.

O homem, cuja suposta morte correu como pólvora pelos telefones celulares e blogs, e sua esposa – a jovem maltratada – foram apresentados em uma coletiva de imprensa dias depois de terminar os distúrbios e asseguraram que se encontravam "muito bem".

A explosão de ira manifesta o profundo ressentimento que toma conta de uma parte da população chinesa, em decorrência das grandes diferenças sociais, da corrupção rampante, dos abusos de poder e do aumento dos preços, em especial dos alimentos e da moradia.

Nas últimas semanas, ocorreu uma série de protestos violentos por todo o país, aparentemente desconectados. Alguns deles estiveram relacionados com emigrantes. O Governo costuma responder a estas mobilizações com pau e cenoura. Por um lado, reprime-as com dureza e aplica penas severas aos seus líderes, e, por outro, cede diante de algumas reivindicações.

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