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09 Junho 2011

Especialistas consultados pelo Página/12 assinalam que o presidente eleito Humala terá como principal desafio esquivar-se da pressão da direita econômica a partir de sua estrutura partidária. Aconselham que não ceda “às chantagens” do mercado.

A reportagem é de Carlos Noriega e está publicada no jornal argentino Página/12, 07-06-2011. A tradução é do Cepat.

Entre as associações empresariais, investidores e a direita, já se pode ouvir vozes exigindo que o presidente eleito Ollanta Humala não abandone o modelo econômico neoliberal e nomeie o mais rápido possível para a presidência do gabinete e do Ministério da Economia pessoas que “tranquilizem os investidores, os mercados”. Na segunda-feira, a Bolsa de Valores caiu 11 pontos e isso redobrou as pressões dos agentes econômicos sobre o próximo presidente.

“Diante das pressões muito fortes da direita econômica, Humala precisa de uma grande habilidade política para não ceder em suas propostas programáticas. Seria muito delicado se Humala formasse um gabinete ministerial fruto de concessões e não de negociações. E a negociação deve partir da premissa de que o vencedor é Humala”, assinalou Eduardo Toche, historiador e pesquisador principal do Centro de Estudos para o Desenvolvimento-Desco.

“Espero que Humala não ceda às pressões da direita econômica. A correlação de forças não dá para que o faça. Caso ceda à chantagem e nomeie ministros pensando em contentar os mercados, então se fragilizará. Que eles processem seu susto, que a Bolsa baixe até que se tranquilizem”, disse a este jornal Nelson Manrique, analista político e professor da Universidade Católica. Manrique esclarece que no Peru “a alternativa não é capitalismo versus socialismo”, e que as propostas econômicas de Humala passam por temas como uma reforma tributária para que as grandes empresas paguem mais impostos, aumentar o salário mínimo ou defender os direitos trabalhistas, e que nisso não pode ceder. Acredita que a Humala terá mais facilidades para se entender com o capital transnacional do que com o capital nacional “porque as transnacionais são mais flexíveis para tratar com os governos e adequar-se a uma realidade que muda”.

Toche estima que o maior risco do presidente eleito diante das pressões da direita econômica é a fragilidade da estrutura partidária que o apoia. “O grande problema de Humala é que não tem um partido político organizado por trás dele. Há uma enorme expectativa popular com a vitória de Humala, mas isso não se expressou em um movimento social articulado. Acredito que tem poucas fichas para enfrentar as pressões da direita econômica. Um primeiro grande movimento que deve fazer é demonstrar firmemente que o vencedor é ele. Até agora não o fez”.

“Está bem – acrescenta Toche – sair com um discurso de concertação, como fez na noite da vitória, mas devia ter posto mais ênfase em que o vencedor é ele e, portanto, é ele quem vai propor o programa e as regras de jogo nas negociações. A concertação deve dar-se sob a premissa de que o vencedor é Humala”.

Humala – opina Manrique – se move em uma borda muito estreita, não pode deixar que os derrotados lhe imponham o programa, mas também não pode dizer ‘vencemos e fazemos o que queremos’. Tem que se colocar em um ponto intermediário entre ambas as opções”. O analista político da Universidade Católica assinala que depois desta eleição “o Peru está dividido em dois” e o presidente eleito deve “tranquilizar aqueles que estão preocupados”. “Isso – afirma Manrique – implica uma aproximação com os setores que estiveram confrontados com ele. Restam dois meses até que Humala tome posse e neste tempo deve criar uma ampla frente de concertação para garantir a governabilidade”. Esclarece que essa aproximação não deve incluir o fujimorismo. “É fundamental isolar os setores mais cavernários, mais recalcitrantes. Concretamente, o fujimorismo”, disse.

Manrique assinala que o primeiro ministro de Humala deve ser um independente. “Nestas eleições – precisa –, a fronteira se estabeleceu entre o fujimorismo, por um lado, e, por outro, aqueles que reclamavam memória, decência e dignidade. Um primeiro ministro independente que se adéque a estas três demandas seria o ideal”.

“Penso que o governo de Humala será de centro-esquerda”, afirma Nelson Manrique. Eduardo Toche, por sua vez, é da opinião de que “a vitória de Humala é um primeiro grande passo para começar a provocar mudanças necessárias, como combater a pobreza e a desigualdade. O setor social que votou em Humala deve organizar-se e construir uma alternativa”.

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