O distinto papel da Cáritas

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04 Junho 2011

O Vaticano vai avançar em sua intenção de reformar a constituição da Cáritas e de criar um "novo perfil" para a entidade.

Publicamos aqui o editorial da revista católica britânica The Tablet, 04-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Não pela primeira vez, a Caritas Internationalis, a segunda maior agência de ajuda humanitária do mundo depois da Cruz Vermelha, está passando por uma fase difícil em suas relações com o Vaticano. Isso resultou na saída desmoralizante da sua secretária-geral, Lesley-Anne Knight, cuja renovação dos quatro anos de mandato foi impedida pelas autoridades do Vaticano.

Parece haver três elementos em funcionamento: uma guerra de territórios entre a Cáritas e o departamento do Vaticano que lida com as atividades de caridade, o Cor Unum; um conflito de personalidades, em que Knight e o funcionalismo vaticano claramente fracassaram em forjar uma boa relação de trabalho; e uma diferença de ênfase sobre a política, que trouxe à tona o desejo do Vaticano de que a ajuda católica e as agências de desenvolvimento devem desenvolver uma identidade católica mais forte.

Há poucas evidências que apoiem um boato que circula pela internet de que a verdadeira ofensa de Knight foi o seu posicionamento em favor de uma agência filiada à Cáritas no Canadá, à qual os ativistas pró-vida da América do Norte haviam acusado de ser condescendente com o aborto. Se fosse esse o problema, ele certamente teria sido tratado de forma diferente.

Knight, uma ex-alta funcionária da sede londrina da Agência Católica para o Desenvolvimento - CAFOD, provavelmente seria reeleita por unanimidade se lhe tivesse sido permitido se candidatar. O presidente recentemente reeleito da Cáritas, o cardeal Óscar Rodríguez Maradiaga, se pronunciou fortemente em sua defesa. Seu sucessor, Michel Roy, que dirigia a afiliada francesa da Cáritas, Secours Catholique, não mostrou nenhum sinal de discordância com a sua abordagem. Mas o Vaticano vai avançar em sua intenção de reformar a constituição da Cáritas e de criar um "novo perfil", nas palavras de uma autoridade.

O que isso significa ainda é bastante nebuloso, mas parece ter referência com o desejo de que a Cáritas seja vista claramente sob o controle da Santa Sé. Há duas ideias-chave em tensão aqui: a necessidade de preservar o profissionalismo da Cáritas e a necessidade de incorporá-la como parte da atividade central da Igreja, para que ela seja um veículo não apenas da caridade cristã, mas também da evangelização. Mas os profissionais não aceitam de bom grado serem ordenados a tanto; nem se veem simplesmente como missionários. No entanto, seu profissionalismo tem quer ser preenchido com a espiritualidade católica se a Cáritas deve se diferenciar no que faz.  

Retirar seu apoio à sua reeleição foi provavelmente a forma menos brutal que o Vaticano poderia achar para provocar a substituição de Knight. No relato de Knight, em seus quatro anos em Roma, o próprio Vaticano fez muito pouco para fomentar um bom relacionamento com ela. O Vaticano, se estivesse sendo mais aberto sobre esse assunto, poderia muito bem dizer o mesmo em troca. Mas a abordagem padrão do Vaticano para com as relações públicas – "nunca explique, nunca se desculpe" – parece se aplicar também nesse caso. E é aí que reside o perigo.

Tentar coagir a Cáritas e suas 165 afiliadas internacionais a uma mudança de ethos sem ter que persuadi-las primeiro de que a mudança é necessária – ou mesmo dizer claramente o que isso envolve – poderia facilmente acabar em fracasso e dissensão. Isso pode prejudicar ou destruir uma rede que, mediante seu trabalho corajoso e incansável pelo alívio do sofrimento e da pobreza, traz para a Igreja Católica um grande crédito em todo o mundo.

Isso é, em si, uma expressão do Evangelho, um poderoso instrumento de evangelização. Em qualquer reforma, preservar isso deve ser o ponto de partida.

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