Carta egípcia ao acampamento espanhol

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02 Junho 2011

Publicamos aqui carta escrita minutos antes de retornar ao Cairo por um dos manifestantes que esteve 15 dias envolvido nos acampamentos na Praça do Sol, em Madri, Ramón Moverak, que também foi um dos ativistas da Praça Tahrir, no Egito, em fevereiro, até a queda de Mubarak.

O artigo foi publicado no sítio Rebelión, 01-06-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Não posso deixar de escrever, horas antes de partir novamente para o Cairo. O avião que me trouxe, aterrissou em Madri no dia 14 de maio. Durante quase duas semanas de permanência em Madri, percorri dezenas de assembleias, e minha vida inteira se viu interrogada pelos mais profundos mistérios do tempo.

Como neto de espanhóis, nada do que aqui acontece me é alheio. Como ativista da Praça Tahrir, estar no meio do movimento 15 de Maio, em Sol, me faz compreender algo mais sobre os modos de comunicação que os acontecimentos guardam, invisíveis, entre si.

Temo agora que se dissolva o efeito mágico que até aqui me acompanha, e um sentimento de angústia me pede que eu fique em Madri. Por isso, decidi falar no último minuto, talvez como modo de torcer o meu destino (o de ir embora). Falo, escrevo, para (me) dizer – sobretudo – que partir não é abandonar. Que partir, sobretudo neste caso, é um modo de seguir o movimento da vida, que agora me devolve ao Egito. Mas com uma palavra, um pensamento e uma pele nova, que aprendi e adquiri nesta viagem. Não volto para casa igual ao que era. Sol afetou minha maneira de viver e de pensar o Egito.

Espero com todo o meu coração que a assembleia de Sol saiba resolver a mesma angústia que me toma frente à partida. As últimas assembleias me fizeram refletir neste paralelo entre a minha viagem e a viagem de Sol. Sol não está perante o desafio de deixar a praça ou de levantar o acampamento, mas sim perante o desafio de fundar um movimento novo. Sol é o nome da nossa metamorfose, e agora cabe levar essa potência de transformação a cada bairro, universidade, centro de trabalho e a cada grupo familiar e de amigos.

Já o fizemos uma vez: entre a manifestação do 15 e o acampamento, demos um grande salto. Os primeiros acampados contam que as origens em Sol foram muito precárias e vacilantes. O êxito não estava assegurado, mas eles confiaram e agiram, sem ter todas as respostas consigo. Nosso ponto de partida agora tem agora mais força. Amanhã ou dentro de dez dias, isso eu não sei, mas penso que o nosso desafio é repetir aquele gesto e atualizar de novo o movimento, refundá-lo.

Agradeço à Praça Tahrir do mesmo modo que ao acampamento de Sol: sua potência de transformação, seu poder de nos dar a ocasião, a força e a lucidez para começar este movimento. E agradeço também à angústia do momento por nos permitir pensar que o movimento depende da nossa capacidade de fazer algo com esse presente.

Evitar a armadilha da permanência e a quietude, e assumir que o movimento nos levará sempre a outros lugares. O melhor que Sol pode fazer pelo resto dos acampamentos é mostrar como a energia pode se transformar, se estender e se complexificar sem se extinguir. Todos devemos partir e levar a transformação conosco. Sem medo.

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