Começa o processo para beatificar dois padres e um leigo assassinados pela ditadura argentina

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02 Junho 2011

A Igreja católica, culto majoritário na Argentina, deu início ao processo de eventual beatificação de dois sacerdotes, um deles francês, e também de um leigo, assassinados durante a ditadura (1976-83), segundo informou nesta quarta-feira. Trata-se dos sacerdotes Carlos de Dios Murias e Rogelio Gabriel Longueville, este último nascido na França, e o leigo Wenceslao Pedernera, assassinados em 1976 na província de La Rioja (noroeste do país) após serem sequestrados e torturados.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 02-06-2011. A tradução é do Cepat.

O processo de beatificação teve início na noite da terça-feira na paróquia de Chamical (La Rioja, 1.200 km a noroeste de Buenos Aires), onde Murias e Longueville exerciam o seu trabalho pastoral, informou a Igreja.

O sacerdote José Genaro explicou que o processo para a beatificação levará mais de um ano. "Agora será entregue ao bispo (Rodríguez) uma pasta com 70 testemunhas que serão chamadas para comparecerem ao Tribunal Eclesiástico, que será constituído hoje (quinta-feira), o que levará um ano, e depois irá para Roma onde será estudado pela Câmara Pontifícia dos Santos", detalhou.

Os cadáveres de ambos os sacerdotes foram encontrados no dia 18 de julho de 1976 em um local próximo a Chamical, de 12.000 habitantes, ao passo que Pedernera foi fuzilado uma semana depois em Sañogasta, também em La Rioja.

Murias, Longueville e Pederneras eram seguidores da pastoral do então bispo de La Rioja, Enrique Angelelli, morto dias mais tarde em um episódio que a ditadura quis fazer passar por um acidente rodoviário, mas que a Justiça, na volta da democracia, qualificou de homicídio.

O atual bispo de La Rioja, Roberto Rodríguez, disse na noite de terça-feira na cerimônia de lançamento do processo de beatificação que "muitas das testemunhas desta obra de evangelização podem falar e expressar qual foi o impacto da pregação destes homens nos fiéis".

Em abril passado, uma juíza de instrução francesa [Sylvie Caillard] convocou para prestar declarações como testemunha o cardeal argentino Jorge Bergoglio em um processo sobre o assassinato de Longueville.

A cúpula da Igreja católica argentina foi duramente questionada por entidades humanitárias argentinas por não ter denunciado os crimes políticos durante a ditadura, inclusive praticados contra alguns de seus clérigos.

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