Austrália discute imposto sobre emissão de carbono

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Nota de apoio ao Padre Edson Adélio Tagliaferro. Mais de cem padres já assinaram

    LER MAIS
  • Bem comum e justiça social: agora mais do que nunca. Manifesto de mais 110 bispos, arcebispos e cardeais

    LER MAIS
  • Aquele vírus entre Darwin e Marx

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


23 Mai 2011

Plano do governo de criar um imposto sobre a emissão de carbono em 2012 ganha força com um novo relatório que salienta a gravidade das mudanças climáticas, mas a medida conta com o apoio de apenas 30% da população.

A reportagem é de Fabiano Ávila e publicada pelo sítio CarbonoBrasil, 23-05-2011.

A Austrália já vem há algum tempo sendo palco de acaloradas discussões sobre a necessidade de criar uma taxa sobre as emissões de gases do efeito estufa e outras medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas. Esse debate é acompanhando com interesse por outros países, inclusive pelo Brasil, porque situações semelhantes deverão acontecer em todos eles nos próximos anos.

Para sair da retórica, o governo criou a Comissão Climática da Austrália, que reúne cientistas de diversas especialidades, com o objetivo de identificar a real ameaça das mudanças climáticas e assim informar a população se é preciso agir para freá-la.

O primeiro grande relatório da Comissão foi publicado nesta segunda-feira (23). Chamado de "The Critical Decade" (A Década Crítica), o documento afirma que a Austrália já está sofrendo os impactos sociais, econômicos e ambientais das mudanças climáticas.

Segundo o trabalho, o número de dias com temperaturas acima do normal dobrou nos últimos 50 anos, aumentando o risco de ondas de calor, que provocam danos à saúde pública e facilitam a proliferação de grandes incêndios. O relatório identificou ainda o aumento no nível dos oceanos de 20 centímetros desde o final do século XIX, o que afetou a vida em comunidades costeiras. Até 2050, os oceanos devem subir outros 20 centímetros, mais que dobrando o risco de enchentes.

Problemas com a biodiversidade também foram constatados, como, por exemplo, os nove eventos de "branqueamento" na Grande Barreira de Corais nos últimos 31 anos. A Comissão afirmou que as decisões para combater as mudanças climáticas devem ser tomadas durante esta "década crítica", e que o ideal seria que as emissões atingissem seu ponto máximo nos próximos anos e então passassem a cair rapidamente.

"É necessário usar qualquer meio ao nosso alcance para reduzir as emissões de carbono o quanto antes. Precisamos precificar o carbono, isso é inevitável", afirmou Tim Flannery, presidente da Comissão.

Taxas

O relatório chega em um momento propício para o governo australiano, que está tentando aprovar um imposto sobre o carbono a partir de 2012.

Greg Combet, ministro de Mudanças Climáticas, afirmou que o documento deixa claro que o país não pode mais esperar para agir. "Os próximos anos são essenciais para colocar a economia em um caminho de menor intensidade de carbono. Mitigar as mudanças climáticas é a coisa certa a fazer para a nossa economia, empregos e meio ambiente", declarou.

A primeira-ministra Julia Gillard também recebeu bem o relatório e criticou a oposição, afirmando que estão cegos à realidade. "Não temos tempo para debates vazios. A ciência é clara, a poluição causada pelo homem está alterando nosso planeta e clima. É hora de cortar nossas emissões", disse Gillard ao parlamento australiano.

O plano da primeira-ministra é ter, já a partir do ano que vem, uma taxa entre A$20 a A$30 para cada tonelada de carbono emitida. Com isso, ela espera que o setor de geração de energia busque investir em fontes limpas. A oposição, que chamou o relatório de "alarmista", alega que essa taxa irá causar a perda de empregos e aumentará o custo da eletricidade no país, e diz preferir uma política de créditos de carbono ao invés de um imposto.

Pesquisas de opinião demonstram que apenas 30% dos australianos são a favor da taxa de carbono. A Austrália é responsável por 1,5% das emissões mundiais de gases do efeito estufa e possui o maior índice de emissões per  capita.O país é o principal exportador de carvão do planeta e depende do combustível para 80% de sua geração de eletricidade.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Austrália discute imposto sobre emissão de carbono - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV