Protestos no Chile após aprovação de usinas elétricas na Patagônia

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10 Maio 2011

A construção de cinco usinas hidrelétricas no Chile, consideradas pelo governo vitais para garantir o suprimento de energia, está causando grande polêmica no país. A aprovação concedida por uma comissão ambiental deu início a uma série de protestos de ambientalistas e partidos de oposição.

A notícia é do jornal Valor, 11-05-2011.

Deputados do bloco Concertación anunciaram ontem que vão tentar criar uma comissão de investigação para apurar supostas irregularidades na aprovação do projeto da HidroAysén. O líder da bancada do Partido Socialista, Alfonso de Urresti, disse ainda que será requisitado o impedimento de alguns ministros de Estado que integram o Comitê de Ministros, órgão que deverá definir o futuro do projeto. Segundo Urresti, eles podem ter algum tipo de vínculo com a HidroAysén - consórcio formado pela Endesa, de capital espanhol e italiano, e pela chilena Colbún para a execução das obras.

A aprovação ambiental foi apenas a primeira etapa de um projeto orçado em US$ 7 bilhões e que não deve ficar pronto em menos de dez anos. As cinco hidrelétricas terão uma potência estimada em 2,75 gigawatts, ou 35% do atual consumo elétrico do país (como comparação, Itaipu tem uma potência de geração de 14 gigawatts). Mas para isso será necessário alagar uma área de 5.700 hectares na região de Aysén, na Patagônia chilena.

Na segunda-feira, após a aprovação do projeto, houve uma série de protestos em várias cidades do país, que resultaram em choques com a polícia e na prisão de mais de 120 manifestantes. O governo do presidente Sebastián Piñera diz que o Chile precisa de mais usinas para atender a demanda, que dobrará na próxima década, e reduzir os custos da energia elétrica, que são os maiores no continente.

"Temos que conseguir essa energia em algum lugar, independentemente do que seja o projeto, porque hoje a energia custa o dobro do que em outros países latino-americanos", afirmou Ena Von Baer, porta-voz do governo. "Queremos ser um país desenvolvido e, para tanto, precisamos de energia, especialmente de energia barata para o pobre." O Chile importa 97% dos seus combustíveis fósseis e tem uma grande dependência da geração hidrelétrica.

Os membros da comissão ambiental - todos nomeados pelo governo de Piñera - aprovaram as obras nos rios Baker e Pascua, em Aysén, uma região remota, praticamente sem estradas, com chuvas constantes e rios que recebem águas das geleiras andinas.

A área englobada pelo projeto tem baixa densidade populacional - menos de 40 famílias teriam que ser remanejadas -, mas ambientalistas argumentam que as intervenções eliminariam rios de correntes rápidas e cachoeiras de potencial turístico e destruiriam o habitat de animais nativos, como o huemul (cervo sul-andino), que aparece no brasão de armas do país. Entre os defensores da região está Robert F. Kennedy Jr., sobrinho do presidente John Kennedy que todo ano vai à região navegar em caiaque. "É o lugar mais bonito do planeta. Não conheço nenhum lugar como a Patagônia", disse. Recente pesquisa feita pelo instituto Ipsos apontou que 61% da população chilena rejeitam o projeto.

O ministro das Minas e Energia chileno, Laurence Golborne, disse que quem estiver descontente com a construção das usinas deve recorrer à Justiça, o que deve ocorrer. Além do recurso contra a aprovação ambiental das represas, os opositores irão se empenhar para que outra parte importante do projeto não seja aprovada: a construção de 1.900 km de linhas de transmissão entre as usinas e o sistema elétrico que atende a região de Santiago e as minas de cobre da Codelco e da Anglo American.

"Obviamente, essa luta continua", disse o senador Patricio Walker, da oposição cristã-democrata. "As linhas de transmissão não podem afetar terras virgens." A comissão ambiental deverá se pronunciar sobre as linhas de transmissão somente em dezembro.

A HidroAysén já mantém negociações com várias empresas internacionais, como a suíça Xstrata e a espanhola Abengoa, para possível participação no projeto. Por enquanto, não há indicações de envolvimento de empresas brasileiras.

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