China: copiar sem se submeter

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07 Maio 2011

"O Brasil poderia crescer a uma taxa duas vezes maior se administrasse os juros e o câmbio como os chineses", afirma Luiz Carlos Bresser-Pereira, economista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 08-05-2011.

Segundo o economista, "dado um crescimento anual do PIB, de 10,06 % na China e 2,55% no Brasil, a renda brasileira cresceu 1,3 vezes (pouco mais que dobrou) enquanto que, em 2010, a chinesa era 16,7 vezes maior do que em 1980!"

Eis o artigo.

Escrevo este artigo ainda sob o impacto que me causou a viagem à China. Quando escrevi minha última coluna nesta Folha, há duas semanas atrás, eu havia visto apenas Pequim, que já me impressionara, mas o espanto começou quando cheguei a Xian, antiga capital do Império Chinês onde foi descoberto o exército de terracota que o imperador que unificou a China em 221 AC mandou enterrar junto com ele.

É uma cidade de 7,5 milhões de habitantes. Uma cidade em construção. No caminho do aeroporto moderníssimo para o centro da cidade vi centenas de imensos prédios sendo construídos. Quase todos de 35 andares com quatro apartamentos por andar de cerca de 90 m2 e ar condicionado central.

Nas demais cidades médias que visitei, Guilin, Hangzhow, e na grande Xangai, novamente um desenvolvimento econômico espantoso: grandes e modernos aeroportos, estradas muito boas, avenidas largas e arborizadas, cidades radicalmente renovadas, estação de trens bala conjugada com aeroporto e metrô em Xangai, automóveis caros e novos nas ruas, grandes lojas de todas as grifes mundiais, e prédios de escritório belíssimos, mais impressionantes do que os de Chicago.

Nada é mais moderno que a China que eu vi. Literalmente destruiu tudo o que era de pouco valor, e reconstruiu de acordo com uma lógica iniciada pelo Japão no final do século XIX e retomada pela China na segunda metade do século XX: copiar sem se submeter; modernizar tudo sem aceitar "conselhos" dos mais modernos.

Para superar a humilhação sofrida no século XIX quando foram submetidos ao imperialismo ocidental, esses dois grandes povos compreenderam que era preciso copiar as instituições e a tecnologia ocidentais, ou seja, que era preciso fortalecer a nação, dotá-la de um Estado moderno, realizar a revolução industrial, e garantir o bom funcionamento de mercados regulados -as quatro condição de uma estratégia nacional de desenvolvimento ou de competição internacional.

Fiquei tão impressionado com o desenvolvimento econômico chinês (não o político) que decidi fazer um cálculo: quantas vezes cresceram China e Brasil entre 1980 e 2010?

Dado um crescimento anual do PIB, de 10,06 % na China e 2,55% no Brasil, a renda brasileira cresceu 1,3 vezes (pouco mais que dobrou) enquanto que, em 2010, a chinesa era 16,7 vezes maior do que em 1980!

Nos últimos dez anos o Brasil melhorou seu desempenho, mas enquanto na China a taxa anual de crescimento da indústria é hoje de 32% (!), no Brasil vemos lenta desindustrialização e a consideramos "natural". Antes, vítimas do complexo de inferioridade colonial, nos curvávamos à Inglaterra e à França, depois, aos Estados Unidos, agora nos curvamos à China: aceitamos como "destino" fornecer-lhe commodities.

Quando digo que poderíamos crescer a uma taxa duas vezes maior se tivéssemos uma estratégia nacional de desenvolvimento, se decidíssemos (principalmente mas não apenas) administrar os juros e o câmbio como fazem os chineses, as pessoas me olham entre surpresas e desconfiadas.

É o sinal da aceitação da derrota perante concorrentes "melhores" e "mais modernos" -uma derrota que a China recusou e, por isso, assombra o mundo.

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