Governo já se divide no combate ao problema cambial

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05 Abril 2011

O problema cambial brasileiro já provoca divisões cada vez mais visíveis no governo. As notícias divulgadas em várias agências de notícias na sexta-feira passada, com base em fontes do governo, de que a equipe econômica tinha desistido no curto prazo de enfrentar a queda do dólar com medidas mais duras serviram de estopim para uma reação imediata contrária no Ministério da Fazenda.

A reportagem é de Adriana Fernandes e Fabio Graner e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 06-04-2011.

Para a ala que acha que o governo "enxuga gelo" com a política de combate à enxurrada de dólares, o momento agora seria de foco total no combate à inflação, que se agravou e estaria ameaçando a estabilidade econômica. O câmbio nesse cenário seria um problema secundário a ser enfrentado com ações de médio e longo prazos, já que a tendência do real é de valorização.

Defensor de medidas mais intervencionistas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, por outro lado, considera importante manter o suspense em torno das medidas e, ao mesmo tempo, continuar com novas ações para impedir uma volatilidade ainda maior do câmbio. Essa posição encontra respaldo na reação dura do representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista, contra relatório do Fundo sobre controle de capitais. Mantega tem na gaveta medidas restritivas mais duras para atacar a especulação no mercado de câmbio e pretende acioná-las, caso julgue necessário.

Se os sinais são de que não há consenso no governo sobre se deve ou não adotar medidas fortes no curto prazo, algumas autoridades já mostram desconforto nos bastidores com a atuação no combate aos efeitos da valorização do real. Uma das reclamações é sobre uma suposta falta de estratégia de médio e longo prazos para o problema, que envolveria a melhora da competitividade das empresas nacionais exportadoras ou que estejam sofrendo com a cada vez mais feroz disputa dos produtos importados. A avaliação é de que o Brasil continuará a ser um mercado atrativo de recursos internacionais, portanto, não adianta agir só no curto prazo.

Também cresce a inquietação com o custo da política de intervenção no mercado cambial e acumulação de reservas. Para esse grupo, não seria o momento de mais medidas, num quadro de grande liquidez de recursos internacionais e também incertezas que ainda não se dissiparam. O Brasil estaria "enxugando gelo" a um custo muito alto, com poucos resultados. O melhor seria esperar o segundo semestre, quando se prevê uma recuperação mais forte da economia dos Estados Unidos e uma redução do fluxo de dólares ao Brasil.

Por outro lado, há os que avaliam que o governo deve continuar com essa política mais agressiva de curto prazo e encontram respaldo nos recentes sinais dados pela própria presidente Dilma Rousseff. Se o governo não tivesse adotado as medidas, avaliam, o dólar já estaria até abaixo de R$ 1,50. Por isso, a visão é de que não se pode apenas ficar observando o mercado determinar os rumos de um preço vital para a economia.

Uma das preocupações desse grupo é com a volatilidade excessiva da taxa de câmbio. Mas há também o receio da forte especulação no mercado cambial e as apostas elevadas de alta do real. Por isso, as medidas que já foram adotadas e estão em gestação miram focos de especulação, como por exemplo aplicações financeiras de curto prazo e a posição vendida dos bancos.

Há preocupação com o que pode acontecer com a cotação do dólar, quando os Estados Unidos começarem a elevar a taxa de juros. Se o real se valoriza demais, quando a maré mudar, pode ocorrer um "overshooting" cambial. Num cenário de mudança rápida de tendência do dólar, empresas e bancos brasileiros que apostaram fortemente na queda da divisa americana poderão ficar em situação difícil, no que já é chamado de risco de "subprime do câmbio". Desde que assumiu, o presidente do BC, Alexandre Tombini, tem alertado para o risco, advertindo que a taxa de câmbio não flutua só para um lado.

Além disso, uma disparada repentina do dólar poderia alimentar a inflação e dificultar a condução da economia brasileira no caminho do crescimento com estabilidade. Além do impacto inflacionário, desvalorizações repentinas e acentuadas do real tendem a colocar um freio adicional no nível de atividade econômica, o que não está nos planos do governo - que trabalha com meta de expansão média de 5,9% no governo Dilma.

 

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